Na sexta-feira, 13 de junho, durante visita oficial à República Tcheca, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou de debate em painel no fórum GLOBSEC-2025 em Praga. A discussão contou também com a participação do Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Tcheca, Jan Lipavský, do Ministro-Delegado para Assuntos Europeus da França, Benjamin Haddad, da Secretária de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Romênia, Ana Tinca, e do ex-Representante Especial do Departamento de Estado dos EUA para Assuntos da Ucrânia, Kurt Volker.
O Chefe da diplomacia ucraniana destacou três pontos fundamentais necessários para alcançar a paz: engajamento dos Estados Unidos da América, intensificação das sanções contra a Rússia e fortalecimento da capacidade defensiva da Ucrânia.
"Na próxima semana completarão 100 dias desde que a Ucrânia concordou com o cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos e pelo Presidente Trump. Estamos prontos para avançar. O cessar-fogo constitui passo fundamental para a paz, e devemos pressionar a Rússia para que aceite incondicionalmente", enfatizou o Ministro.
Andrii Sybiha sublinhou que os parceiros da Ucrânia na Europa e além necessitam de mobilização diplomática completa para cessar a guerra. "As negociações em Istambul demonstraram que a Rússia não alterou sua retórica. Moscou conduz o diálogo na linguagem de ultimatos e capitulação", observou.
O Chefe da diplomacia ucraniana apelou para reduzir o teto de preços do petróleo russo para 30 dólares e investir na indústria de defesa ucraniana desde já. Segundo suas palavras, o complexo industrial de defesa ucraniano ainda não explorou completamente seu potencial e apresenta déficit que permitiria expandir o setor nacional de defesa em aproximadamente 15 bilhões de dólares.
"Possuímos capacidades para produzir armamentos modernos sofisticados na Ucrânia. Desde o início da agressão em larga escala, aumentamos nossas capacidades defensivas em algumas direções em 35 vezes. Somos líderes na produção de drones e tecnologias não tripuladas. Contamos com 110 brigadas e cerca de 1 milhão de soldados com experiência de combate diária. Tudo isso constituirá importante contribuição da Ucrânia para a futura arquitetura de segurança europeia e segurança transatlântica", destacou o Ministro.
Andrii Sybiha dirigiu-se aos parceiros com proposta de reiniciar o processo de reconhecimento da Rússia como estado-terrorista, uma vez que a reação de Moscou às propostas de paz ucranianas e aos esforços de paz coletivos consiste em escalada e terror.
"A Operação 'Teia' demonstrou que não existem mais locais seguros na Rússia. Podemos alcançar alvos militares legítimos em território da Federação Russa em qualquer lugar. Pensemos não no que Putin deseja, mas no que podemos fazer agora para forçá-lo a aceitar a paz", observou o diplomata.
O Chefe do MNE da Ucrânia também comentou sobre 1 milhão de baixas russas: "Putin é assassino em massa de seu próprio povo".