Os horríveis ataques da Rússia às cidade de Kryvyi Rih e Sumy demonstram que Putin quer continuar a guerra, não procura a paz, e exigem medidas europeias decisivas para reforçar as capacidades da Ucrânia e as suas próprias capacidades, para aumentar a pressão sobre o agressor e acelerar a integração da Ucrânia na UE.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou isto na manhã de segunda-feira, 14 de abril, durante o discurso online no Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros iniciou o seu discurso com informações detalhadas sobre o ataque russo com mísseis balísticos a cidade de Sumy, que causou numerosas vítimas civis, bem como sobre o anterior ataque a cidade de Kryvyi Rih e outros actos de terror russo.
"O Domingo de Ramos e o início da Semana Santa deveriam ser um tempo de paz, mas Putin transformou-os num tempo de terror. Esta é uma realidade terrível na Europa atual. Munições de fragmentação que matam crianças durante os principais feriados religiosos. O ataque a Sumy não foi apenas um ataque a uma cidade ucraniana. É um ataque aos nossos princípios comuns, aos valores da Europa moderna", afirmou o ministro.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros manifestou a sua gratidão aos colegas europeus que manifestaram a sua solidariedade com a Ucrânia após o ataque a Sumy, bem como aos diplomatas que visitaram Kryvyi Rih após o assassinato de nove crianças por um míssil russo.
"Apelo aos vossos governos e municípios para que considerem a possibilidade de prestar apoio adicional a Sumy e Kryvyi Rih, às pessoas destas cidades. Toda a Ucrânia ficará grata por isso", afirmou Andrii Sybiha.
O Ministro apelou aos seus colegas europeus para que aumentem a assistência militar à Ucrânia, principalmente através do reforço das suas capacidades de defesa anti-aérea: fornecendo sistemas adicionais, lançadores, mísseis e peças de substituição. Ele informou sobre os esforços da Ucrânia para desenvolver o seu próprio sistema de defesa anti-aérea de nível estratégico e convidou os Estados europeus a investirem neste programa para acelerar a sua implementação.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia salientou também outras necessidades militares prioritárias, incluindo munições, mísseis de longo alcance, veículos blindados e equipamento de engenharia, aviões de combate, drones e investimentos adicionais na base industrial da defesa ucraniana. Ele manifestou a sua gratidão pelas iniciativas relevantes para reforçar as capacidades de defesa da Ucrânia propostas pela Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, bem como pelos Estados que participam na Iniciativa Checa.
O Ministro salientou à parte a importância do programa “ReArm Europe” iniciado pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O Ministro prestou especial atenção ao aumento da pressão das sanções sobre o agressor. Manifestou a sua gratidão pelo facto de, apesar de todos os desafios, a UE ter continuado a aumentar a pressão e apelou a novas medidas firmes. Entre elas, o Ministro dos Negócios Estrangeiros enumerou um embargo total à compra de energia russa por governos e empresas privadas, sanções contra a frota sombra, a utilização total dos activos russos congelados para apoiar a defesa e a reconstrução da Ucrânia, mais restrições no sector bancário, metalurgia, energia nuclear, TI e outras indústrias.
Andrii Sybiha recordou a disponibilidade da Ucrânia para iniciar as negociações de adesão o mais rapido possível e sublinhou que agora não é altura certa de bloquear o processo de adesão do nosso país à UE. Segundo ele, a integração europeia é um dos factores de estabilidade e paz a longo prazo na Europa.
O ministro sublinhou que a estratégia global em relação à Rússia não deve consistir em concessões, mas sim numa maior força, autossuficiência e liderança europeia.
"Putin vai avançar mais para a Europa e mais perto das vossas casas se não for travado na Ucrânia. Esta é a realidade. E não queremos que os vossos países vejam mísseis balísticos de fragmentação a atingir áreas residenciais ou parques infantis. É por isso que é necessário agir agora para alcançar a paz, para fortalecer a Ucrânia e aumentar a pressão sobre Moscovo", disse o ministro.
O Ministro salientou que a Ucrânia continua dedicada aos esforços pacíficos e que ela tomou medidas concretas nesse sentido, incluindo a aceitação incondicional do cessar-fogo total proposto pelos Estados Unidos. Em vez disso, a Rússia rejeitou esta proposta e intensificou o seu terror contra os civis.
O ministro recordou ainda que a Ucrânia concordou com os Estados Unidos sobre o cessar-fogo parcial nos sectores energético e marítimo e, neste contexto, informou os seus homólogos europeus sobre as violações russas dessas acordos. Ele sublinhou a necessidade de medidas de confiança, tais como a libertação de prisioneiros de guerra e o regresso de crianças raptadas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia sublinhou também a necessidade de passar de um cessar-fogo parcial para um cessar-fogo total e a necessidade de ter os mecanismos para o controlar e garantir.