Na reunião do Conselho NATO-Ucrânia, Andrii Sybiha apelou a uma maior pressão sobre a Rússia para a forçar à paz
04 abril 2025 09:55

Na quinta-feira, 3 de abril, realizou-se na sede da NATO, em Bruxelas, uma reunião do Conselho NATO-Ucrânia a nível de Ministros dos Negócios Estrangeiros, com a participação do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha.

Foi a primeira reunião deste tipo que contou com a presença do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

No seu discurso, o Ministro Andrii Sybiha agradeceu aos aliados pelo seu apoio à Ucrânia e pelo aumento da assistência militar nos primeiros meses de 2025.

O Ministro salientou que a Ucrânia tinha dado passos concretos no sentido da paz em março. Destacou a liderança dos EUA nos esforços de paz e recordou o consentimento incondicional da Ucrânia para um cessar-fogo total de 30 dias.

O ministro observou que a parte russa respondeu apenas com exigências e condições adicionais, o que demonstra que a Rússia é um obstáculo à paz e a única fonte de guerra.

Andrii Sybiha também informou os participantes sobre casos específicos de violação pela Rússia dos acordos de cessar-fogo relativos a instalações energéticas e sublinhou que o cessar-fogo no Mar Negro deve aplicar-se às infra-estruturas portuárias e não aos navios de guerra russos.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que a Ucrânia também insiste em parar os ataques a infra-estruturas civis e transmitiu esta posição à parte americana.

"Estamos convencidos de que é a altura de aumentar a pressão sobre a Rússia. Pressão económica através de sanções. Pressão militar através do fornecimento à Ucrânia de apoio militar adicional e de pacotes de dissuasão. A pressão é a única forma de forçar a Rússia a levar a paz a sério", sublinhou o ministro.

Andrii Sybiha reiterou as posições de princípio da Ucrânia, que não são negociáveis no contexto dos esforços de paz: a Ucrânia nunca reconhecerá a ocupação russa dos seus territórios; não pode haver restrições ao exército ucraniano, às capacidades de defesa ou à assistência militar dos parceiros; nenhum país terceiro pode bloquear a escolha de alianças ou uniões por parte da Ucrânia.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros recordou ainda que a futura adesão da Ucrânia à NATO está legalmente consagrada na Constituição da Ucrânia e nas decisões de várias cimeiras da NATO, incluindo a cimeira anterior em Washington.

O Ministro chamou a atenção dos Aliados para o facto de a Ucrânia ser atualmente uma força que fortaçece a segurança de toda a zona euro-atlântica.

É a Ucrânia que está a dissuadir a Rússia agressiva, que é a principal ameaça à Aliança. O exército ucraniano é a maior força terrestre do continente, com uma experiência única, e o nosso país gasta 26% do seu orçamento na defesa e é capaz de produzir milhões de drones por ano, entre outras façanhas da base industrial da defesa ucraniana de alta tecnologia.

"A Ucrânia já é e será uma força militar poderosa na Europa Oriental. A escolha estratégica com que se deparam é se esta força estará na NATO ou fora da NATO", disse Andrii Sybiha.

O Ministro salientou que a base industrial da defesa da Ucrânia é atualmente uma das mais dinâmicas do mundo e apelou aos aliados para que continuem a aumentar os investimentos na produção ucraniana de armas.

Ele saudou também a discussão sobre garantias sólidas de segurança para a Ucrânia no âmbito da “Coligação dos Resolutos”, liderada pelo Reino Unido e França, e salientou a necessidade de alargar a futura presença dos aliados a terra, ar e mar.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros destacou as necessidades prioritárias da Ucrânia a curto prazo, incluindo sistemas de defesa aérea adicionais, munições, projécteis, drones e outros equipamentos.

Entre os principais temas mencionadas pela maioria dos participantes estava o apoio aos esforços de paz dos EUA e a ênfase no facto de que Ucrânia está a dar passos no sentido da paz, enquanto a Rússia está a adiar. A maioria dos Aliados também apoiou o apelo a uma maior pressão sobre a Rússia para a forçar à paz, bem como um maior apoio à Ucrânia e às suas capacidades de defesa. Vários Estados-membros da NATO anunciaram novos compromissos específicos e pacotes de assistência que serão anunciados num futuro próximo.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia manifestou a sua profunda gratidão aos aliados da NATO pelo seu apoio firme e inabalável ao nosso país na luta contra a agressão russa.

"Hoje sentimos que não estamos sozinhos. Agradeço-Vos e aguardo com expetativa novas decisões concretas", concluiu o Ministro.

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