No Dia da Memória dos Heróis da Centena Celestial, 20 de fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, realizou em Kyiv negociações bilaterais com a sua homóloga austríaca, Beate Meinl-Reisinger, que efetuou a sua quarta visita à Ucrânia desde o início da agressão em grande escala da rússia.
A delegação austríaca incluiu também o coordenador governamental para a reconstrução da Ucrânia, Wolfgang Anzengruber, bem como parlamentares austríacos.
Andrii Sybiha recebeu pessoalmente a sua colega estrangeira de manhã na estação ferroviária de Kyiv. Os ministros visitaram o memorial popular da memória nacional na Praça da Independência (Maidan), onde homenagearam os que tombaram pela Ucrânia na guerra russo-ucraniana, e colocaram lamparinas junto ao memorial dos Heróis da Centena Celestial.
Durante as negociações no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha informou a sua colega sobre a situação no campo de batalha e os danos causados ao sistema energético ucraniano na sequência dos ataques russos. O ministro partilhou igualmente os resultados da reunião em Genebra e a visão ucraniana sobre as perspetivas futuras dos esforços de paz.
“Temos uma interação bilateral ativa. Estou particularmente grato à Áustria pelo apoio na superação das consequências do terror de inverno russo. Sentimos esta solidariedade sincera a todos os níveis: do governo austríaco, dos estados federais, das comunidades e de todos os austríacos. A Áustria disponibilizou 3,5 milhões de euros através dos mecanismos do Fundo de Apoio à Energia da Ucrânia, do CICV, da UNICEF e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados”, afirmou.
Segundo Andrii Sybiha, as partes discutiram a transferência para a Ucrânia de equipamento energético proveniente de duas centrais elétricas austríacas desativadas, em Viena e na Alta Áustria.
“Os nossos especialistas já estão a inspecioná-las, a determinar a lista de equipamento tecnicamente compatível e a logística de transporte. A Áustria está também pronta para transferir para a Ucrânia nove potentes transformadores do estado federado de Salzburgo, bem como equipamento de gás para a ‘Ukrtransgaz’ da empresa RAG”, destacou Andrii Sybiha.
O chefe da diplomacia ucraniana sublinhou as numerosas iniciativas cívicas de apoio energético ao nosso país, que demonstram a solidariedade da sociedade austríaca. Agradeceu igualmente à Áustria pelo apoio às crianças ucranianas.
“Este inverno, os estados federados do Tirol e de Burgenland convidaram crianças ucranianas para períodos de descanso. Valorizamos também a contribuição da Áustria para o regresso das crianças ucranianas, nomeadamente no âmbito da respetiva Coligação Internacional”, observou o ministro.
Andrii Sybiha acrescentou que a Áustria financia projetos no valor de 14,1 milhões de euros na área da desminagem humanitária.
O ministro saudou particularmente o interesse do setor empresarial austríaco em operar na Ucrânia mesmo em tempo de guerra.
“Continuaremos a facilitar o trabalho das empresas austríacas na Ucrânia. Pretendemos que possam utilizar o seu potencial no processo de reconstrução, nomeadamente nos setores da construção, da infraestrutura ferroviária e da energia”, afirmou.
O chefe do MNE informou ainda sobre o papel significativo da Áustria na reconstrução de jardins de infância, na construção de abrigos e no tratamento de civis gravemente feridos. Além disso, considerou importante o apoio financeiro do governo austríaco à iniciativa «Food from Ukraine» e declarou existirem sinais positivos quanto à adesão iminente da Áustria à Aliança para a Resiliência Cultural.
O diplomata agradeceu ao governo austríaco pelas decisões especiais relativas ao seguro de riscos, que incentivam a atividade de investimento na Ucrânia, classificando-as como um exemplo para outros Estados.
“Estamos a preparar-nos para receber, dentro de duas semanas, o ministro federal austríaco da Economia, Energia e Turismo, juntamente com uma grande delegação empresarial. Contamos com novos acordos e com a atração de novos investimentos. A Áustria demonstra que a neutralidade não significa indiferença”, declarou Andrii Sybiha.