Na quinta-feira, no dia 5 de dezembro, o Ministro das Negocios Estrangeiros da Ucrânia, Sr. Andrii Sybiha, participou da 31ª reunião anual do Conselho de Ministros das Relações Exteriores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, em Malta.
No seu discurso, o Ministro dos Negócios Estrangeiros informou sobre a luta diária da Ucrânia pela existência nas condições da agressão russa e recordou o 30º aniversário do Memorando de Budapeste, que se tornou uma das razões desta realidade.
Andrii Sybiha sublinhou que desde a Segunda Guerra Mundial, a Europa não tinha visto tal escala de atrocidades, assassinatos de civis, sequestros de crianças, execuções de prisioneiros de guerra e outros crimes terríveis. Ao mesmo tempo, Moscovo tenta justificar estes crimes com as chamadas “preocupações legítimas de segurança”.
“O direito de existência do povo ucraniano não é uma “preocupação de segurança” russa. O direito da Ucrânia de determinar o seu próprio futuro não é uma “preocupação de segurança” russa. A própria Rússia é a maior preocupação de segurança para o mundo", disse o Ministro.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha exortou a não acreditar nas falsas declarações da Rússia sobre o desejo de paz e enfatizou que os representantes do Kremlin falam em negociações apenas para desviar a atenção das suas ações reais. O ministro disse que na realidade a Rússia continua a expandir a guerra.
"Por primeiro, a Rússia aterroriza os civis com bombardeamentos constantes, mata famílias inteiras nas suas casas. Em segundo lugar, está a tentar provocar uma catástrofe nuclear através de ataques sistémicos às infra-estruturas energéticas e à ocupação da Central nuclear de Zaporizhzhia . Em terceiro lugar, a Russia atrai armas do Irão e da Coreia do Norte, bem como tropas norte-coreanas. E em quarto lugar, os russos lançaram um míssil balístico de médio alcance contra a Ucrânia".
O ministro apelou aos aliados para aumentarem o preço da guerra para o agressor e forçarem Moscovo a aceitar uma paz justa baseada no princípio da “paz através da força”.
"O memorando de Budapeste mostrou o preço real dos acordos à custa da Ucrânia. Não haverá compromissos relativamente à integridade territorial, à soberania ou à segurança futura da Ucrânia", afirmou o chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O ministro explicou ainda o que a Rússia quer dizer quando fala em “paz”.
"Quando os russos dizem 'paz', querem dizer civis ucranianos mortos, enterros em massa e cidades completamente destruídas. Crianças ucranianas que foram enviadas na famílias russas e receberam nomes russos. Filtragem de campos, listas de fuzilamento, russificação e assimilação forçadas. Nunca concordaremos com este tipo de “paz”. O nosso plano de paz é que a Rússia saia da Ucrânia e nos deixe em paz. Isto corresponderá totalmente à Acta Final de Helsínquia", observou Andrii Sybiha.
O ministro referiu ainda que a Rússia procura criar um mundo de zonas de influência, onde o uso da força dita novas regras e novas fronteiras. Salientou que a Ucrânia não concordará com Ialta-2 ou Minsk-3, como a Rússia deseja.
Neste contexto, Andrii Sybiga apelou à eliminação das zonas cinzentas, uma vez que o Kremlin tenta transformá-las nas suas zonas de influência. Observou que isto requer uma determinação geopolítica clara em relação à Ucrânia como parte da comunidade euro-atlântica.
O Ministro dos Negocios Estrangeiros da Ucrânia classificou a participação da Rússia na OSCE como uma ameaça para a Europa, dada a sua cooperação aprofundada com o Irão e a Coreia do Norte, a interferência na Geórgia, na Moldova, nos países dos Balcãs Ocidentais e outros estados, bem como a guerra híbrida contra a Europa.
O Ministro sublinhou que a Fórmula da Paz é a única forma de restaurar uma paz abrangente, justa e sustentável e apelou à OSCE para que desempenhe um papel activo na sua implementação.
Andrii Sybiha afirmou também que a Ucrânia espera uma liderança forte dos novos dirigentes da OSCE na defesa dos princípios da organização, para que isolarem ainda mais a Rússia e utilizarem todas as ferramentas disponíveis da OSCE para documentar os crimes do regime do Kremlin.
O Ministro ucraniano recordou a detenção de três funcionários da OSCE, Maksym Petrov, Vadym Golda e Dmytro Shabanov, e observou que a Rússia viola os princípios e obrigações da OSCE, esta organização deverá continuar a ser uma plataforma para responsabilizar a Rússia.
«A Rússia mantém a OSCE como reféns, como mantém a detenção estas pessoas”, observou.
Andrii Sybiha expressou a sua gratidão ao seu colega maltês e à sua equipa por liderarem com sucesso o trabalho da Organização durante o ano. Desejou também boa sorte à sua colega finlandesa Elina Valtonen na sua presidência da OSCE no próximo ano.