No sábado, 15 de fevereiro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou da reunião ministerial do Grupo dos Sete, realizada no âmbito da Conferência de Segurança de Munique.
O Ministro enfatizou que a guerra da Rússia vai muito além da Ucrânia e tem consequências globais para todo o mundo.
"Os resultados desta guerra determinarão a segurança transatlântica nas próximas décadas. A segurança da Ucrânia e a segurança transatlântica são indivisíveis. O fortalecimento da Ucrânia significa o fortalecimento da vossa própria segurança", afirmou ele.
O chefe da diplomacia ucraniana classificou o envolvimento da Coreia do Norte por Putin na guerra contra a Ucrânia como um "desenvolvimento extremamente perigoso", que pode potencialmente desestabilizar a Península Coreana e a região do Indo-Pacífico.
"Demonstrando força na Europa, os EUA também a demonstram na região do Indo-Pacífico — e vice-versa. Qualquer fraqueza aqui apenas encorajará os inimigos dos EUA em outras partes do mundo. Não podemos permitir isso. No mundo moderno, a fraqueza custa caro demais", destacou o ministro.
Andrii Sybiha também sublinhou que a posição de Putin não mudou, pois ele continua a apresentar ultimatos e a exigir capitulação.
"A sua guerra é, por essência, genocida, pois ele não reconhece a Ucrânia como um país nem os ucranianos como uma nação separada. Ele quer destruir o nosso Estado e o nosso povo. É por isso que continuamos a resistir — porque queremos viver. E ele não vai parar até que nós o detenhamos", declarou o chefe da diplomacia ucraniana.
O Ministro apelou aos aliados para aumentarem a pressão sobre Putin, a fim de forçá-lo a negociações de boa-fé. Para isso, é necessária uma combinação de pressão económica e militar.
Andrii Sybiha destacou que a pressão económica inclui o reforço das sanções e do controlo de exportações para limitar o acesso da Rússia a tecnologias, a utilização total dos ativos russos congelados, a redução dos preços do petróleo e a substituição dos recursos energéticos russos na Europa e em outras regiões por fontes de energia americanas e de outros países.
Nesse contexto, o Ministro recordou que a Ucrânia já propôs aos EUA o uso dos seus depósitos subterrâneos de gás para armazenar gás natural liquefeito americano.
O chefe da diplomacia ucraniana também enfatizou que a pressão militar implica "armar a Ucrânia até aos dentes".
"Para estabilizar a situação na frente, precisamos de armamento específico em quantidades necessárias e a tempo. Isso também ajudará a impedir que os russos capturem uma parte maior dos nossos recursos estratégicos", destacou ele.
O Ministro acrescentou que a campanha de pressão militar também prevê o fortalecimento da indústria de defesa. Segundo ele, desde 2022, a Ucrânia aumentou a produção nacional de defesa em seis vezes e continua a expandi-la.
O chefe da diplomacia ucraniana enfatizou que a Ucrânia rejeita qualquer tentativa de equiparar o agressor e a vítima.
"Não há nenhum país no mundo que deseje mais o fim da guerra do que nós. Mas não fomos nós que iniciámos esta guerra — fomos atacados. A Rússia é o agressor, e a Ucrânia está legitimamente a defender-se", afirmou ele.
O Ministro destacou que os princípios "nada sobre a Ucrânia sem a Ucrânia" e "nada sobre a Europa sem a Europa" continuam a ser fundamentais e inabaláveis.