O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia condena as últimas tentativas da liderança georgiana de envolver a Ucrânia nos processos políticos internos do seu país na véspera das eleições parlamentares que se realizarão em 26 de outubro. Dado o tom desdenhoso, mais uma vez, das declarações proferidas pelo Primeiro-Ministro da Geórgia, Irakli Kobakhidze, somos obrigados a expressar uma vez mais a posição da Ucrânia.
São surpreendentes as tentativas persistentes da actual liderança da Geórgia a fim de apagar da memória do povo georgiano os numerosos crimes cometidos pela Rússia, que cometeu e continua a cometer nos territórios temporariamente ocupados tanto da Geórgia como da Ucrânia.
Consideramos vergonhoso que o partido “Sonho Georgiano” utilize imagens da guerra impiedosa da Rússia contra a Ucrânia na sua publicidade política. A especulação descarada sobre o luto ucraniano revelou a verdade sobre o partido no poder na Geórgia, que é o seu total desrespeito pelo povo ucraniano e a sua vontade de infligir danos irreparáveis às relações tradicionalmente amigáveis entre os povos ucraniano e georgiano em nome de pontos políticos.
Na véspera do grande feriado ortodoxo na Geórgia, Mtskhetoba Svetitskhovlob, a 14 de outubro, a representação de santuários religiosos ucranianos destruídos por criminosos de guerra russos na publicidade política do partido no poder, “Sonho Georgiano”, é particularmente ultrajante.
Lamentamos dizer que, ao seguir a abordagem russa de restringir a participação da sociedade civil e das organizações de direitos humanos na garantia do desenvolvimento democrático do Estado e na manutenção de um ambiente eleitoral competitivo, o Governo georgiano se transformou numa fotocopiadora do Kremlin.
Temos de recordar algumas outras verdades que o Primeiro-Ministro da Geórgia se esqueceu de revelar. A recusa das autoridades georgianas em apoiar as sanções internacionais impostas à Rússia em reação à sua agressão em grande escala contra a Ucrânia, a retomada das ligações aéreas diretas com a Rússia, a eliminação do regime de vistos introduzido no início da década de 2000 e a intensificação do comércio bilateral devolveram a Geórgia a um formato de dependência económica e política de Moscovo.
O aparecimento de escolas privadas russas em cidades da Geórgia, credenciadas no território da Federação Russa, não só levanta dúvidas sobre a qualidade do ensino, como também representa uma ameaça de doutrinação da juventude georgiana com propaganda russisma /russo nazismo/.
Apelamos também àqueles que desejam revelar a verdade para que expliquem ao seu próprio povo por que razão há menos interrupções no fornecimento de eletricidade e gás em Kherson, que foi destruída pelos ocupantes russos, onde foram deliberadamente destruídas instalações de infra-estruturas críticas, do que na pacífica Tbilisi.
A Ucrânia apela uma vez mais ao Governo da Geórgia para que se abstenha de arrastar o nosso Estado e os cidadãos ucranianos para os processos políticos internos da Geórgia, bem como de jogar com o sangue e o sofrimento do povo ucraniano. Esperamos que as eleições parlamentares na Geórgia se realizem de forma pacífica e democrática e que o povo georgiano prossiga o seu percurso estratégico rumo à adesão à UE e à NATO.