Comentário do MNE da Ucrânia sobre o Dia Internacional da Memória do Holocausto
27 janeiro 2025 10:00

Em 27 de janeiro, a Ucrânia e o mundo comemoram a memória de milhões de vítimas do Holocausto, um dos maiores crimes e catástrofes humanas da história. Este dia recorda o sofrimento insuportável das pessoas que foram vítimas do terror nazi.

Há exatamente 80 anos, nesta data, os soldados da Primeira Frente Ucraniana libertaram Auschwitz-Birkenau, um dos maiores campos de extermínio nazis. Este local tornou-se um símbolo não só da crueldade sem precedentes do regime nazi, mas também um testemunho eterno da importância de combater o ódio e a violência.

A Ucrânia, em cujo território foram cometidos numerosos crimes do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, partilha profundamente a dor do povo judeu. Recordamos as vítimas da tragédia em Babyn Yar, onde dezenas de milhares de judeus foram impiedosamente executados, juntamente com outros locais de valas comuns que se tornaram símbolos de luto deste capítulo trágico da história humana.

A tragédia da Shoah não é apenas um registo histórico, mas um aviso crítico para a humanidade.

Neste contexto, é especialmente doloroso reconhecer que a agressão russa contra a Ucrânia trouxe de volta horrores que não se viam na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. As comunidades judaicas da Ucrânia também estão a sofrer com o constante terror russo, particularmente nas cidades de Dnipro e Odesa, que têm uma população de mais de um milhão de habitantes, e noutras cidades e comunidades.

Desde 2022, até a celebração anual do Rosh Hashanah pelos peregrinos hassídicos em Uman se tornou um desafio para as autoridades ucranianas, dada a falta de meios adequados para proteger as pessoas da ameaça constante de ataques aéreos terroristas russos.

É horrível ver pessoas que sobreviveram ao Holocausto morrerem às mãos de invasores russos no século XXI. Em março de 2022, Borys Romanchenko, de 96 anos, sobrevivente de vários campos de concentração nazis durante a Segunda Guerra Mundial, foi morto por bombardeamentos russos em Kharkiv. Em abril de 2022, Vira Obiedkova, de 91 anos, que sobreviveu ao Holocausto quando era uma menina de 10 anos ao esconder nas caves durante a ocupação nazi, morreu numa cave em Mariupol. As canalhas russas que tiraram a vida àqueles que os nazis não conseguiram matar devem ser punidos o mais severamente possível.

Os ocupantes russos destroem não só vidas, mas também locais de memória. O complexo memorial em Babyn Yar, em Kyiv, e a menorá memorial em Drobytskyi Yar, na região de Kharkiv, que foram danificados por ataques de mísseis russos em março de 2022, não são exceção. Ao destruírem os monumentos históricos, culturais e espirituais da Ucrânia, os invasores russos estão a tentar apagar a verdade histórica para continuar a falsificar a história. A tarefa comum da Ucrânia e de todos os Estados e organizações internacionais que valorizam a vida humana é defender a justiça histórica e impedir a repetição das terríveis atrocidades do passado.

Este dia recorda-nos a necessidade não só de lembrar, mas também de combater ativamente todas as manifestações de ódio, discriminação e intolerância. A Ucrânia apoia as iniciativas internacionais destinadas a preservar a memória do Holocausto e a combater o antissemitismo, a xenofobia e outras formas de intolerância.

Apelamos a todos os Estados do mundo para que prossigam os seus esforços conjuntos no sentido de contrariar o ódio que gera a violência e para que comprovem o slogan “Nunca Mais!” com acções concretas.

Memória eterna de todas as vítimas do Holocausto.

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