Em resposta às perguntas da mídia sobre os cidadãos ucranianos detidos na fronteira entre a Rússia e a Geórgia, a Assessoria de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros considera oportuno fornecer esclarecimentos adicionais.
Desde a segunda quinzena de junho de 2025, a parte russa intensificou a deportação de cidadãos ucranianos através da fronteira com a Geórgia, o que levou ao agravamento da situação humanitária no posto fronteiriço georgiano «Dariali», na fronteira com a Rússia.
Graças às medidas tomadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em conjunto com as autoridades competentes da Ucrânia, desde o final de junho até hoje já foi possível organizar a saída de 44 cidadãos ucranianos da zona tampão da fronteira russo-georgiana.
Ao mesmo tempo, a Rússia continuou a enviar um número maior de deportados, o que pode indicar uma operação deliberada da Rússia. Atualmente, 96 cidadãos ucranianos encontram-se na zona tampão do posto fronteiriço «Dariali». Recordamos que, anteriormente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, já se tinha dirigido publicamente à parte russa com um apelo para que os cidadãos ucranianos deportados fossem enviados diretamente para a fronteira com a Ucrânia. O nosso país está pronto para receber os seus cidadãos diretamente, e não através da Geórgia e da Moldova. Até ao momento, constatamos que a Rússia ignora esse apelo, o que também indica a intenção consciente de Moscovo de criar uma crise humanitária na fronteira entre a Rússia e a Geórgia.
A maioria dos cidadãos ucranianos que a Rússia deporta para a fronteira com a Geórgia são pessoas que já foram anteriormente submetidos a um processo judicial para apurar a sua responsabilidade penal. Entre eles estão tanto aqueles que cumpriam pena nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia e foram transferidos à força para o território da Rússia, bem como cidadãos ucranianos que se encontravam no território da Rússia e foram condenados por crimes cometidos lá.
O posto fronteiriço «Dariali» foi utilizado para o regresso de cidadãos ucranianos deportados também em anos anteriores. O problema tornou-se particularmente grave durante o mês de julho, devido à intensificação significativa da expulsão de cidadãos ucranianos pela Rússia através deste posto fronteiriço em junho, bem como à suspensão, pela Moldova, numa determinada fase, do trânsito de pessoas desta categoria.
Os cidadãos ucranianos ficaram na zona tampão da fronteira entre a Geórgia e a Rússia numa situação extremamente difícil, uma vez que a parte georgiana manifestou a sua disponibilidade para assegurar o transporte organizado para estes cidadãos para o aeroporto de Tbilisi apenas após a confirmação, por parte da Moldova, da sua disponibilidade para os acolher como país de trânsito.
Com o objetivo de resolver os aspetos humanitários da permanência dos cidadãos ucranianos na zona tampão da fronteira georgiana, a Embaixada da Ucrânia na Geórgia está a trabalhar ativamente com a parte georgiana, envolvendo neste processo a representação do Comité Internacional da Cruz Vermelha, do ACNUR e da Organização Internacional para as Migrações na Geórgia.
No dia 5 de agosto, a Embaixada da Ucrânia na Geórgia recebeu um aviso de 5 cidadãos ucranianos que foram deportados do território da Federação da Rússia e estão temporariamente detidos no posto fronteiriço «Dariali», sobre o início da greve de fome por tempo indeterminado com a exigência de que lhes seja permitido atravessar a fronteira da Geórgia. Outros cidadãos que se encontram neste posto juntaram-se à greve de fome.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros, com a participação das Embaixadas da Ucrânia na Geórgia e na Moldova, em cooperação com os ministérios e departamentos competentes desses países e da Ucrânia, está a trabalhar para resolver esta crise humanitária o mais rápido possível.
Ao receberem a informação sobre o início da greve de fome, os cônsules da Embaixada da Ucrânia na Geórgia dirigiram-se imediatamente à fronteira para se encontrarem com os cidadãos ucranianos no posto fronteiriço «Dariali» e solicitaram à parte georgiana acesso imediato e sem obstáculos. Os cônsules estão em contacto permanente com os cidadãos ucranianos que se encontram no posto fronteiriço «Dariali», incluindo aqueles que anunciaram a greve de fome.
Neste momento, a parte ucraniana está a trabalhar ativamente com os colegas georgianos e moldavos em todos os níveis para encontrar a solução mais rápida possível para o trânsito de cidadãos ucranianos através do território da Moldova e o regresso, no futuro próximo, dos grupos seguintes de pessoas do posto fronteiriço «Dariali».