Hoje, 16 de fevereiro, a Rússia, pela terceira vez consecutiva, impediu deliberadamente a rotação dos especialistas da AIEA na Central Nuclear de Zaporizhzhia. As rotações anteriores, planeadas para janeiro e fevereiro, não ocorreram pelo mesmo motivo – Moscovo impede sistematicamente o acesso de observadores internacionais, recorrendo à chantagem, provocações e ameaças abertas.
A Rússia mantém de facto os especialistas da AIEA à força na Central Nuclear de Zaporizhzhia ocupada, estendendo a sua permanência no local para 69 dias. Este é o período mais longo sem rotação desde o início da missão na estação. Moscovo pretende colocar os especialistas internacionais numa posição insustentável – ou trabalham sob controlo russo e silenciam sobre a situação real, ou a estação fica sem supervisão internacional independente.
Este não é apenas mais um impedimento à rotação. Trata-se de uma estratégia mais ampla do Kremlin – enfraquecer a independência da AIEA, forçar a agência internacional a fazer concessões ao agressor e torná-la dependente das decisões de Moscovo. Ao mesmo tempo, este é mais um sinal para o mundo: a Rússia não é um parceiro na área da segurança nuclear, mas uma ameaça. Um país que ataca deliberadamente instalações nucleares civis, usa a energia nuclear como ferramenta de chantagem e pressão militar não pode ser membro da comunidade nuclear global.
A Rússia iniciou sua guerra em larga escala contra a Ucrânia ocupando a Central Nuclear de Chernobyl, onde seus militares cavaram trincheiras no solo radioativo da Floresta Vermelha. Atacou e continua a manter como refém a Central Nuclear de Zaporizhzhia – a maior central nuclear da Europa. Alveja deliberadamente instalações nucleares civis, como a "Fonte de Neutrões" em Kharkiv, direciona drones ao sarcófago do quarto reator de Chernobyl e submete os trabalhadores da ZNPP à tortura e terror psicológico. Estes não são incidentes isolados, mas parte de uma estratégia abrangente de chantagem nuclear para forçar o mundo a se submeter ao ditado do Kremlin.
Acreditamos que a comunidade internacional deve demonstrar firmeza e força em resposta à chantagem e às ameaças da Rússia.
Apelamos aos governos estrangeiros para que cessem completamente a cooperação com o setor nuclear russo, considerando que este país transforma centrais nucleares em bases militares, bloqueia o acesso de especialistas internacionais e ataca infraestruturas nucleares civis. É hora de reavaliar as relações com um Estado que transforma a energia nuclear num instrumento de terror.
Instamos a comunidade internacional a condenar firmemente as ações da Rússia e a tomar medidas concretas para acabar com sua impunidade. Não são necessárias apenas declarações, mas ações efetivas que protejam a independência da AIEA e impeçam o Kremlin de usar a energia nuclear como arma.
Lembramos que a Central Nuclear de Zaporizhzhia deve ser devolvida ao seu legítimo proprietário – a Ucrânia. Apenas a retirada das tropas e do pessoal russos permitirá restaurar a segurança nuclear e radiológica na estação e evitar incidentes que representam uma ameaça não apenas para a Ucrânia, mas para toda a Europa e o mundo.