A decisão do Governo de transição da República do Mali de cortar as relações diplomáticas com a Ucrânia é de vistas curtas e precipitada, dado que a Ucrânia, vítima de uma agressão militar em grande escala e não provocada da Federação Russa, está a envidar todos os esforços, com o apoio da comunidade internacional, para restabelecer a justiça e o respeito pelo direito internacional, que se destina a proteger todos os países do mundo, incluindo os países africanos, de invasões à sua soberania, independência e integridade territorial.
A Ucrânia adere incondicionalmente às normas do direito internacional, à inviolabilidade da soberania e integridade territorial de outros países e rejeita firmemente as acusações do Governo de transição do Mali de alegado "apoio da Ucrânia ao terrorismo internacional".
Lembramos que no século XX a Ucrânia, sendo um dos fundadores das Nações Unidas, apoiou ativamente o direito dos povos africanos à independência e à descolonização, incluindo a República do Mali.
Em vez disso, a Federação Russa, continuando a sua agressão armada em grande escala e não provocada contra a Ucrânia, está a destruir a arquitetura da segurança internacional, está a violar os Objetivos e Princípios da Carta das Nações Unidas, que garantem, nomeadamente, o direito dos países africanos a um futuro livre.
A Ucrânia é conhecida em África como um importante contribuinte para a segurança regional. O seu contingente de "capacetes azuis" deu um contributo significativo para a implementação de uma série de operações de manutenção da paz sob os auspícios da ONU, em particular de 2019 a 2022 - no âmbito das missões da ONU no Mali.
É lamentável que o Governo de transição da República do Mali tenha decidido romper relações diplomáticas com a Ucrânia sem proceder a uma análise aprofundada dos factos e das circunstâncias do incidente no norte do Mali, e sem fornecer qualquer prova do envolvimento da Ucrânia no referido acontecimento.
Simultaneamente, ignora-se o facto de as estruturas militares controlados pelo Kremlin, em particular "Wagner", utilizarem métodos terroristas e estarem diretamente envolvidas em numerosos crimes de guerra, assassinatos de civis e tratamento cruel de prisioneiros de guerra, tanto na Ucrânia como nos países africanos.
A Ucrânia reserva-se o direito de tomar todas as medidas políticas e diplomáticas necessárias em resposta às ações hostis do Governo de transição da República do Mali.