Na quarta-feira, 25 de setembro, na sede da ONU, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou numa reunião ministerial do G20.
No seu discurso, o chefe da diplomacia ucraniana lembrou os seus colegas da fragilidade da paz e da segurança internacionais.
"A agressão contínua da Rússia contra a Ucrânia é um severo lembrete da fragilidade da paz e da segurança internacionais. Esta agressão é um ataque aos princípios de soberania, integridade territorial, à ordem baseada em regras, ao direito internacional e à Carta da ONU. Esta é uma agressão contra todos nós", afirmou o ministro.
O chefe da diplomacia chamou a atenção para a retórica inaceitável da Rússia em relação às armas nucleares.
"A Ucrânia propõe um caminho claro para a paz. Esta é a Fórmula da Paz. O que ouvimos da Rússia em resposta? Novas ameaças nucleares. Apelo a todos nesta sala que tomem uma posição firme contra a perigosa e irresponsável retórica da Rússia sobre armas nucleares", disse.
Andrii Sybiha sublinhou que é inadmissível que um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e uma potência nuclear, como a Rússia, ameace o mundo com armas de destruição em massa.
"A única razão pela qual Putin voltou a falar sobre armas nucleares é porque ele tenta intimidar-nos. Mas, nos últimos anos, provámos repetidamente que o medo não é a solução. Em vez disso, devemos impedir a Rússia de destruir a paz e a segurança internacionais, intimidando todos com armas nucleares. Este é um caso de chantagem nuclear e terrorismo. Isso não pode ser tolerado", destacou o ministro.
Andrii Sybiha apelou a que a Ucrânia receba um convite para a cimeira do G20 no Rio de Janeiro numa data simbólica, 19 de novembro, quando se completam 1000 dias desde o início da guerra mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial – a agressão total da Rússia contra a Ucrânia.
"Acreditamos que seria muito apropriado que a questão da agressão russa contra a Ucrânia fosse abordada na cimeira do G20 no Rio de Janeiro e que o Presidente da Ucrânia pudesse participar. Isso aproximaria a paz e ajudaria a definir a data e o local da segunda Cimeira da Paz. Ignorar esta data simbólica por parte do G20 demonstraria fraqueza e falta de vontade de resolver os problemas globais", afirmou o ministro.
O chefe da diplomacia ucraniana destacou a ambição das prioridades da presidência brasileira, que incluem: integração social, combate à fome e à pobreza, transições energéticas e desenvolvimento sustentável de instituições de governação global. Na sua opinião, é importante continuar a coordenar e consolidar os esforços dos parceiros e doadores para implementar a iniciativa humanitária ucraniana "Grãos da Ucrânia".
"Entretanto, a agressão russa contra a Ucrânia impossibilita a implementação eficaz dessas prioridades e do desenvolvimento sustentável como um todo. A Rússia precisa ser parada. Caso contrário, a agressão tornar-se-á a norma. E, amanhã, todos os agressores, em qualquer canto do mundo, poderão violar fronteiras e tomar terras pela força", enfatizou o ministro.
Andrii Sybiha recordou as palavras do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, na véspera, no Conselho de Segurança da ONU: não existem diferentes Cartas da ONU para o G7 ou BRICS, para o Irão ou Rússia, para o Brasil ou China. Há apenas uma Carta da ONU, e a paz deve ser alcançada com base nela.
O ministro apelou aos parceiros que se juntem à implementação da Fórmula da Paz do Presidente Zelenskyy, que é o único caminho realista para uma paz abrangente, justa e duradoura, baseada na Carta da ONU: "Convidamos a comunidade internacional a unir-se e apoiar a implementação da Fórmula da Paz. A busca pela paz, justiça e dignidade humana não é apenas uma responsabilidade de alguns, mas um dever de todos nós", sublinhou.