Na segunda-feira, 23 de setembro, em Nova Iorque, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou na reunião ministerial do G7+ no âmbito do segmento de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. A reunião, copresidida pelo Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Antonio Tajani, contou com a participação de ministros e representantes da diplomacia da UE, Bulgária, Reino Unido, Dinamarca, Estónia, Canadá, República da Coreia, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Alemanha, Noruega, Polónia, Roménia, Eslováquia, França, Japão, República Checa e Suécia.
O ministro ucraniano expressou profunda gratidão aos aliados pelo seu apoio à Ucrânia, nomeadamente na reconstrução do sistema energético danificado pelos ataques russos. Sybiha sublinhou a necessidade urgente de fortalecer três áreas de assistência energética antes do inverno: proteção, recuperação e resiliência a longo prazo.
"O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, definiu claramente o objetivo de aumentar o apoio dos aliados ao setor energético da Ucrânia. Isso inclui, principalmente, o fortalecimento do escudo aéreo para proteger o nosso sistema energético; fornecimento urgente de equipamentos e fontes de geração adicionais; e investimentos para garantir a resiliência a longo prazo da nossa energia. Apelo a vocês para agirem imediatamente e ajudarem o povo ucraniano a atravessar este inverno", afirmou Sybiha, dirigindo-se aos aliados.
O ministro também informou que a inteligência ucraniana tem dados sobre a preparação da Rússia para ataques a instalações nucleares críticas, o que representa riscos não só para a Ucrânia, mas também para os seus parceiros. Ele apelou a uma resposta coletiva firme para dissuadir Moscovo de seguir esse cenário.
"Em primeiro lugar, a Ucrânia continua a trabalhar para reforçar a proteção dessas instalações, e aqui contamos com a vossa ajuda. Em segundo lugar, devemos reagir com rapidez e firmeza. Apelo a que nos dirijamos oficialmente à Rússia e a que a alertemos para parar. Em terceiro lugar, devemos garantir a presença de missões de especialistas em todas as instalações relevantes", acrescentou Sybiha.
O ministro destacou que os ataques russos ao sistema energético da Ucrânia constituem crimes de guerra, e a Rússia deve ser responsabilizada por eles.
Andrii Sybiha informou os presentes sobre o estado atual da rede energética ucraniana e as perdas de capacidade devido aos ataques sistemáticos da Rússia. Ele frisou que o objetivo da Ucrânia é restaurar o sistema energético a curto e longo prazo, bem como fortalecer a segurança e resiliência energética. O desenvolvimento de geração distribuída foi apontado como um fator crucial, e os aliados foram encorajados a fornecer novas capacidades de geração.
O ministro sublinhou que o fortalecimento do escudo aéreo da Ucrânia é a melhor solução para evitar novos danos ao sistema energético.
"Agradecemos todo o apoio até agora, mas precisamos urgentemente de mais sistemas de defesa aérea, artilharia antiaérea, sistemas de combate a drones e, não menos importante, mais mísseis para as nossas defesas aéreas. Precisamos também de mais MANPADS, que têm provado ser eficazes na derrubada de drones russos", afirmou o ministro.
No final do seu discurso, Andrii Sybiha destacou que o objetivo a longo prazo da Ucrânia é a plena integração no mercado energético da UE, com um sistema descentralizado, flexível e resiliente, baseado em fontes de energia renováveis.
"O desenvolvimento do nosso setor energético também será um dos motores da recuperação económica da Ucrânia. Agradecemos a vossa ajuda na atração de investimentos para este projeto em larga escala. No campo diplomático, o nosso foco em resiliência energética deve ser refletido na Fórmula da Paz. Um dos seus pontos centra-se na segurança energética. Convido todos vocês a participarem ativamente em todos os esforços relacionados com a implementação da Fórmula da Paz", concluiu Sybiha.
Nos seus discursos, os aliados sublinharam a urgência de fornecer apoio adicional, mencionaram a ajuda já fornecida e anunciaram novos compromissos e pacotes específicos de assistência energética.
Entre as contribuições concretas para a resiliência energética da Ucrânia antes do inverno, os aliados anunciaram financiamento adicional, sistemas de defesa aérea, expansão das capacidades de importação, novas fontes de geração, transformadores, geradores móveis e apoio técnico especializado.
Andrii Sybiha expressou a sua gratidão aos aliados pela prontidão em fornecer apoio adicional urgente e manifestou a esperança de uma rápida implementação das decisões tomadas.
No final da reunião, foi aprovada uma declaração conjunta do G7+ sobre o apoio à resiliência energética da Ucrânia, em que os aliados reafirmaram a sua prontidão para fornecer apoio adicional ao sistema energético da Ucrânia, proteger as infraestruturas energéticas e investir no fortalecimento da sua resiliência a longo prazo.