Andrii Sybiha no Conselho Ministerial da OSCE: A fonte do problema não pode fazer parte da solução
04 dezembro 2025 12:31

Na quinta-feira, 4 de dezembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou da sessão plenária do Conselho Ministerial da OSCE em Viena e dirigiu-se aos seus participantes com o primeiro discurso do encontro.

“No ano em que celebramos o 50º aniversário do Ato Final de Helsinque, é hora de falar honestamente sobre o real estado da segurança e da cooperação na Europa. É hora de agir para restaurá-las”, declarou o ministro.

O chefe do MNE lembrou que, no ano passado, seu discurso começava com as palavras: “A Ucrânia está sangrando”. Infelizmente, o mesmo acontece agora, ao iniciar sua fala na 32ª sessão do Conselho Ministerial da OSCE. O ministro pediu a todos os parceiros que unam esforços para deter a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

“Problemas devem ser resolvidos, não ignorados. Esta guerra não está tão distante como alguns podem pensar. Viena está mais perto da linha de frente do que várias outras capitais europeias. Ninguém deveria ter ilusões. Enquanto a Ucrânia sangrar, ninguém nesta sala poderá sentir-se seguro”, afirmou.

O chefe do MNE destacou que a Ucrânia usará todas as oportunidades, até as mais pequenas, para encerrar a guerra. Se existir ao menos uma chance de alcançar a paz na mesa de negociações, ela deve ser prioridade.

“Também sabemos que a paz deve ser duradoura. E a segurança deve ser garantida — com força real e garantias reais. A segurança deve ser a base para tudo o mais”, enfatizou.

Andrii Sybiha destacou que hoje a Rússia se recusa a encerrar sua agressão contra a Ucrânia e, amanhã, tentará expandi-la ainda mais para o interior da Europa.

O chefe do MNE chamou a atenção dos colegas europeus para os inúmeros crimes de guerra e atrocidades cometidas pela Rússia. Segundo ministro, a OSCE pode desempenhar um papel importante na responsabilização dos criminosos russos.

O lado ucraniano apela ao uso contínuo de todos os mecanismos da OSCE para documentar, expor e condenar os crimes da Rússia. “Também chegou o momento de refletir sobre o papel que a Organização pode desempenhar no período pós-guerra”, observou o ministro.

O chefe do MNE expressou gratidão aos Estados Unidos e aos parceiros europeus pelo avanço e apoio ao processo de paz.

Andrii Sybiha recordou que, no passado, a Europa acumulou acordos de paz injustos, que levaram a desastres ainda maiores. Por isso, destacou a importância de reafirmar o compromisso com o Decálogo de Helsinque durante o trabalho pela restauração de uma paz justa para a Ucrânia.

O ministro também destacou que, nos últimos meses, a Rússia perdeu quatro eleições importantes — para o Conselho da ICAO, para o Conselho Executivo da UNESCO, para o Conselho Executivo da OPAQ e para o Conselho da IMO. Segundo ele, não há razão para considerar a Rússia um parceiro dentro da OSCE.

“Países do mundo inteiro não veem a Rússia como um parceiro para resolver problemas globais. Porque Moscou é, ela própria, a origem desses problemas”, afirmou.

Chefe da diplomacia ucraniana lembrou que, nos 50 anos desde a assinatura do Ato Final de Helsinque, a situação na Europa mudou radicalmente. Segundo ele, a OSCE deve adaptar-se às novas realidades. Ele recordou que a reforma da Organização proposta pela Ucrânia no ano passado continua em discussão.

“Gerações futuras olharão para nós. Se queremos que elas avaliem nossas ações com justiça — precisamos agir agora. Agir para alcançar uma paz verdadeira, justa e duradoura — para a Ucrânia e para toda a Europa”, concluiu o ministro.

Ao final do discurso, o chefe do MNE reiterou a exigência para que a Rússia liberte os três funcionários ilegalmente detidos da Missão Especial de Monitoramento da OSCE — Maksym Petrov, Vadym Golda e Dmytro Shabanov. Ele também agradeceu a todos os ministros que fizeram o mesmo apelo durante a reunião.


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