Andrii Sybiha no Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE: cada investimento na produção de armamento na Ucrânia hoje é um investimento no futuro arsenal da Europa
20 novembro 2025 14:59

Na quinta-feira, 20 de novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou online na reunião do Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, onde informou os colegas europeus sobre a situação no campo de batalha, os esforços de paz, as reformas e o combate à corrupção.

O ministro chamou a atenção dos Estados-Membros da UE para a intensificação do terror russo e delineou as principais necessidades para reforçar a defesa e a resiliência da Ucrânia e de toda a Europa. Expressou gratidão pela solidariedade dos parceiros europeus face ao terrível ataque russo contra edifícios residenciais de vários andares em Ternopil, que causou a morte de 26 pessoas, incluindo 3 crianças.

Andrii Sybiha destacou três prioridades estratégicas da defesa ucraniana: o reforço da defesa aérea, das capacidades de longo alcance e do complexo industrial de defesa da Ucrânia.

«Os novos acordos sobre defesa antiaérea com França e Espanha, alcançados durante as visitas do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, esta semana, constituem mais uma importante contribuição para a nossa capacidade de defesa», afirmou.

Andrii Sybiha sublinhou que cada investimento na produção de armamento na Ucrânia hoje é um investimento na paz a longo prazo e no arsenal da Europa.

«Os ataques de alta precisão contra alvos legítimos na Rússia enfraquecem a produção de armas russa e abalam a confiança dos cidadãos russos no Kremlin. Moscovo pode censurar informação, mas não pode censurar aquilo que as pessoas sentem quando a agressão regressa a casa», observou.

O ministro apelou aos parceiros para acelerarem o trabalho sobre o vigésimo pacote de sanções da UE contra a Rússia e recordou que a Ucrânia já apresentou as respetivas propostas. Instou os parceiros europeus a complementar a política de sanções com a introdução de restrições tarifárias eficazes, que podem ser aplicadas sem necessidade de votação por consenso.

O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que a integração das capacidades produtivas ucranianas nos planos dos Estados-Membros no âmbito do programa SAFE é mutuamente benéfica. O ministro sublinhou que a Ucrânia já demonstrou que é um fiável flanco oriental de defesa da Europa — e pode tornar-se um arsenal europeu igualmente fiável.

A parte ucraniana sublinha que os ativos russos congelados se tornaram uma questão central de segurança, e a sua utilização pode alterar os cálculos de Moscovo. É importante adotar uma decisão coletiva sobre a sua plena utilização para a defesa e reconstrução da Ucrânia até ao final do ano: «O agressor deve pagar pela agressão, e vocês dispõem de todos os instrumentos para garantir isso».

O ministro dedicou especial atenção ao desenvolvimento dos acontecimentos relacionados com investigações anticorrupção na Ucrânia. Informou os parceiros europeus sobre as ações coerentes das autoridades ucranianas em resposta às informações divulgadas, incluindo a demissão de envolvidos, a introdução de sanções apropriadas e a total cooperação de todas as instituições governamentais com os órgãos anticorrupção independentes.

Andrii Sybiha reafirmou o compromisso inabalável da Ucrânia com as reformas, a luta contra a corrupção e o Estado de Direito, em consonância com a posição firme e de princípio do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e de todo o povo ucraniano.

No contexto do caminho de integração europeia, o ministro sublinhou que a adesão à UE faz parte das garantias de segurança para a Ucrânia, e que a experiência militar do exército ucraniano será um ativo para o futuro da Europa, salientando a necessidade de avançar no processo de adesão.

Por fim, o ministro chamou a atenção para duas datas importantes assinaladas a 20 de novembro: o 80.º aniversário do início do Tribunal Militar Internacional de Nuremberga e o Dia Mundial da Criança.

O chefe da diplomacia ucraniana lembrou que, desde fevereiro de 2022, a Rússia matou mais de 660 crianças ucranianas.

«Não podemos devolver aqueles que foram mortos. Mas podemos - e devemos - trazer de volta para casa aqueles que a Rússia deportou ilegalmente. Apelo a que apoiem uma resolução forte da Assembleia Geral da ONU que exija o seu regresso», sublinhou.

Andrii Sybiha expressou agradecimento aos parceiros europeus pelo apoio ao Tribunal Especial para o crime de agressão e acrescentou que responsabilizar Putin e os seus cúmplices é essencial tanto para pôr fim a esta guerra como para dissuadir futuras guerras que outros líderes autoritários possam desencadear.

«A responsabilização é parte integrante de uma paz justa e duradoura», afirmou o ministro.

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