Na quinta-feira, 26 de março, o chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia participou da sessão “Reconstrução”, em Paris, ao lado dos chanceleres dos países do G7, da presidente do BERD, além dos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Índia, Coreia do Sul e Arábia Saudita.
Um dos temas centrais do encontro foi a recuperação da estrutura de proteção da Usina Nuclear de Chornobyl, danificada por um drone russo em fevereiro de 2025.
Durante sua intervenção, Sybiha destacou o caráter sistêmico das ameaças nucleares por parte da Rússia. Segundo ele, a ocupação da Usina de Zaporizhzhia e sua transformação em base militar, a destruição da barragem de Kakhovka e as tentativas de anexar a usina ao sistema energético russo podem gerar consequências catastróficas. Ele pediu ação preventiva dos parceiros.
“Ao longo do último ano, e especialmente neste inverno, a Rússia realizou ataques massivos contra o sistema energético da Ucrânia, incluindo instalações nucleares. Minha mensagem é simples: não esperem por um novo Chornobyl. As consequências podem ser catastróficas. É preciso agir agora para evitar o pior. Nossa firmeza na defesa da segurança nuclear será a melhor forma de marcar os 40 anos do desastre de Chornobyl”, afirmou.
O chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros defendeu a imposição de sanções contra a Rosatom e a limitação dos direitos da Rússia dentro da AIEA. A Ucrânia já propôs mudanças no estatuto da organização e espera apoio internacional. Ele também pediu o reforço das missões da AIEA em instalações nucleares ucranianas.
“Não pode haver nenhum passo que legitime as ações da Rússia ou sua ocupação da usina de Zaporizhzhia. É preciso pressão para obrigar Moscou a devolver a usina ao seu legítimo proprietário — a Ucrânia. A Rússia precisa entender claramente que a comunidade internacional rejeita seu chantagem nuclear. Só uma resposta firme pode fazê-la parar de violar as regras internacionais”, destacou.
Sybiha também afirmou que a estratégia de chantagem nuclear da Rússia tem semelhanças com as ações do Irã, ressaltando que os dois regimes cooperam e trocam métodos.
“Estamos convencidos de que apenas força e determinação podem pôr fim à chantagem nuclear, tanto no Oriente Médio quanto na Europa. Essa é a principal lição de Chornobyl — e precisamos aprendê-la antes que seja tarde demais”, disse.
O ministro agradeceu à AIEA pelo trabalho desempenhado, assim como aos parceiros e aliados pelo apoio abrangente à Ucrânia.
Ele também relembrou as consequências devastadoras do desastre de Chornobyl, a responsabilidade do regime soviético e o heroísmo dos trabalhadores que atuaram na contenção do acidente.
Sybiha atualizou os presentes sobre os esforços de paz, reafirmando a disposição da Ucrânia para avançar com medidas construtivas para encerrar a guerra, e destacou a necessidade de aumentar a pressão sobre a Rússia, que ainda não demonstra abertura à diplomacia.
Durante a reunião, o ministro francês, que preside o G7, destacou que a restauração da estrutura de proteção de Chornobyl é uma das prioridades do grupo e do BERD, enfatizando o papel de liderança da França e do G7 nesse projeto internacional.
A presidente do BERD apresentou um briefing detalhado sobre o estado da estrutura após o ataque do drone russo, as etapas previstas para a reconstrução e a necessidade de mobilizar recursos.
O chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia agradeceu aos parceiros do G7 e ao BERD pela disposição em reunir os recursos necessários e restaurar a proteção da usina de Chornobyl.
Os participantes reafirmaram o compromisso com o apoio contínuo à Ucrânia, especialmente nas áreas de defesa e energia, concordaram com a necessidade de ações decisivas para neutralizar as ameaças nucleares da Rússia, aumentar a pressão de sanções sobre Moscou e confirmaram a disposição de fazer novas contribuições concretas para fortalecer a Ucrânia.