Nesta sexta-feira, 27 de março, na França, o chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia participou da sessão “Apoio à Ucrânia” ao lado dos chanceleres dos países do G7.
O ministro atualizou os parceiros sobre a situação na Ucrânia após o inverno mais difícil da história recente, destacando o aumento significativo das perdas russas no campo de batalha, além das operações bem-sucedidas das forças ucranianas para recuperar territórios e realizar ataques de longo alcance dentro da Rússia. Ele ressaltou ainda que a defesa aérea ucraniana tem interceptado cerca de 90% dos alvos.
“Entramos numa fase em que o terror de inverno da Rússia fracassou, enquanto o país perde mais de 30 mil soldados por mês e mais territórios do que consegue ocupar”, afirmou.
Segundo o ministro, o momento atual é crítico para avançar nos esforços de paz. O agravamento da situação da Rússia no campo de batalha, na sociedade e na economia pode forçar Moscou a encerrar a guerra.
Nesse contexto, ele destacou que qualquer medida para aliviar a pressão sobre a Rússia é contraproducente. A Ucrânia espera que eventuais flexibilizações sejam temporárias e revertidas rapidamente.
Sybiha também relembrou o que chamou de “receita” para o fim da guerra: envolvimento dos Estados Unidos, aumento do custo da guerra para o agressor, um pacote robusto de dissuasão e apoio contínuo à Ucrânia.
Ele elogiou os esforços de paz liderados pelos EUA e afirmou que a Ucrânia apresenta propostas realistas e eficazes para avançar nas negociações.
O chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros enfatizou que elevar o custo da guerra para a Rússia deve incluir perdas no campo militar e na economia, além de isolamento internacional e responsabilização. Como medida adicional, sugeriu proibir a entrada em países do G7 de combatentes russos e seus familiares.
O pacote de dissuasão, segundo ele, precisa garantir apoio contínuo, sem interrupções, além de investimentos na indústria de defesa ucraniana e no fortalecimento da defesa aérea.
Sybiha também chamou atenção para a ligação direta entre as situações no Oriente Médio e na Europa. Segundo ele, Moscou estaria apoiando o Irã com inteligência e equipamentos, inclusive para ataques contra militares dos EUA e países do Golfo.
“A Rússia tenta aliviar sanções e lucrar com os altos preços do petróleo. Putin quer prolongar não só a guerra contra a Ucrânia, mas também o conflito no Oriente Médio. Do nosso lado, não vamos reduzir a pressão — pelo contrário, os ataques em profundidade contra a Rússia só vão aumentar. É justo que a guerra volte para onde começou”, disse.
O ministro destacou ainda a importância de avançar na implementação da iniciativa PURL, destravar o pacote de apoio da União Europeia de 90 bilhões de euros, garantir clareza sobre a adesão da Ucrânia à UE e assegurar garantias de segurança firmes — juridicamente vinculantes e com presença militar de aliados, com apoio dos EUA.
O chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros expressou agradecimento aos países do G7 pelo apoio contínuo e por manterem a Ucrânia como prioridade.
“A reconstrução da Ucrânia e o Plano de Prosperidade seguem na agenda. Esperamos um papel de liderança dos países do G7”, afirmou.
Por fim, o ministro destacou que cada medida de apoio à Ucrânia e de aumento da pressão sobre a Rússia fortalece a posição do país nas negociações e aproxima a paz.
Os aliados reafirmaram seu compromisso com o apoio à Ucrânia e a necessidade de manter e intensificar a pressão sobre a Rússia. Os países do G7 também destacaram a importância de impedir que Moscou explore a escalada no Oriente Médio para seus próprios interesses e prolongue a guerra.
Os participantes enfatizaram a unidade transatlântica firme na defesa do espaço euro-atlântico e no apoio à Ucrânia.