Na quarta-feira, 23 de setembro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou numa reunião de alto nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a manutenção da paz e da segurança da Ucrânia, realizada durante a Semana de Alto Nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Andrii Sybiha salientou que a Ucrânia pretende pôr fim à guerra já e está pronta para um cessar-fogo total e incondicional, enquanto a Rússia continua a ser o único Estado que bloqueia a cessação das hostilidades.
«Há quinze membros neste Conselho. Catorze deles apoiam, de uma forma ou de outra, um cessar-fogo imediato. Entre eles estão quatro membros permanentes do Conselho. Apenas um Estado bloqueia a cessação das hostilidades. E é o próprio agressor. A Rússia não veta apenas o cessar-fogo. A Rússia veta a paz», declarou o Ministro.
Andrii Sybiha sublinhou que a guerra russa há muito ultrapassou as fronteiras da Ucrânia e da Europa e constitui uma ameaça global. As suas consequências são sentidas por países de África, da Ásia, do Médio Oriente, da América Latina e de outras regiões do mundo.
O Ministro chamou a atenção para o bloqueio do Mar Negro pela Rússia e para a ameaça que este representa para a segurança alimentar mundial. Segundo afirmou, cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo dependem dos cereais ucranianos, enquanto, devido ao bloqueio russo, 11 milhões de toneladas de produtos alimentares correm o risco de se deteriorar.
O chefe da diplomacia ucraniana destacou ainda o problema do recrutamento, pela Rússia, de cidadãos de outros Estados para participarem na guerra contra a Ucrânia, a cooperação militar de Moscovo com a República Popular Democrática da Coreia e o Irão, bem como as atividades desestabilizadoras da Federação Russa na Europa e noutras regiões.
«Em vez de garantir a paz, a Rússia espalha a guerra. E este é um problema para todos», afirmou o Ministro.
Andrii Sybiha dedicou especial atenção à situação nos territórios temporariamente ocupados, nomeadamente em Oleshky, na margem esquerda do rio Dnipro, na região de Kherson. Apelou à comunidade internacional para que exija à Rússia a abertura de corredores humanitários e assegure o acesso sem entraves da ajuda destinada à população civil.
«Se retiverem apenas uma coisa desta reunião, lembrem-se de Oleshky. Ouçam o seu grito de ajuda. Exijam à Rússia que abra corredores humanitários. Moscovo é a única causa desta catástrofe e o único obstáculo ao seu fim», salientou o chefe da diplomacia ucraniana.
Andrii Sybiha sublinhou que a comunidade internacional não deve permitir a normalização dos crimes russos. Chamou a atenção para o aumento do número de vítimas civis e para os quase 900 casos documentados de violência sexual cometida por militares russos contra civis ucranianos e prisioneiros de guerra.
O chefe da diplomacia ucraniana alertou os participantes na reunião contra uma política de apaziguamento da Rússia e apelou aos Estados-Membros das Nações Unidas para que adotem medidas concretas com vista ao fim da guerra.
«Se a Rússia veta a paz, nós devemos vetar a guerra russa», salientou o Ministro.
O Ministro recordou que a Rússia ocupa ilegalmente o lugar da União Soviética no Conselho de Segurança das Nações Unidas e afirmou que o agressor deve ser excluído da sua composição. Andrii Sybiha observou que, durante a sua intervenção, o representante russo apresentou inúmeras razões para justificar a continuação da guerra pela Rússia. Culpou a Ucrânia, os Estados Unidos, o Ocidente e a NATO — todos, menos Putin.
«Tive de me esforçar para ouvir as suas histórias enfadonhas e manipulações. Apenas para me certificar de que continuam exatamente iguais», acrescentou.
Dirigindo-se ao representante russo, Andrii Sybiha colocou três questões. Primeiro: por que razão Putin não se senta à mesa das negociações com o Presidente ucraniano para pôr fim a esta guerra agora? Segundo: por que morreram dezenas de milhares de soldados que a Rússia perdeu para conquistar apenas alguns quilómetros quadrados? Terceiro: a Rússia queria tomar Kyiv em três dias. Como é que, quatro anos depois, é Moscovo que está a arder?
Andrii Sybiha apelou ao reforço dos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra, ao aumento da pressão sobre a Rússia, ao reforço das sanções e à limitação do acesso do agressor a tecnologias, bem como ao combate à desinformação russa, ao reforço da capacidade de defesa da Ucrânia antes do inverno, à promoção do regresso das crianças ucranianas levadas pela Rússia e à garantia da responsabilização pelos crimes cometidos.
«Todos os países que se recusam a apoiar a guerra russa podem dar o seu contributo para a paz. Ajam agora», apelou o chefe da diplomacia ucraniana.
Dirigindo-se aos participantes na reunião, Andrii Sybiha salientou que a agressão russa exige uma resposta unida da comunidade internacional.
«A Rússia já não é uma potência global. É um problema global. E este problema exige uma solução global», afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros.