Na segunda-feira, 15 de junho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou por videoconferência da reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia.
Andrii Sybiha informou seus colegas sobre as consequências do ataque maciço lançado pela Rússia contra a Ucrânia naquela noite, que deixou pelo menos quatro mortos e cerca de 30 feridos em Kyiv, além de provocar danos ao complexo da Lavra de Kyiv-Pechersk.
"Lembro-me das imagens da Catedral de Notre-Dame em chamas, há sete anos. Hoje vivi um terrível déjà vu ao ver cenas semelhantes da Lavra de Kyiv-Pechersk. Trata-se do centro espiritual da nossa nação e de um dos mais importantes santuários do cristianismo, além de ser um Patrimônio Mundial da UNESCO. Esperamos uma resposta firme dos órgãos dirigentes da UNESCO e o envio imediato de especialistas ao local desse crime", afirmou o ministro.
Andrii Sybiha acrescentou que as Nações Unidas identificaram o mês de maio como o mais letal para os civis ucranianos desde o início da invasão em larga escala, com pelo menos 270 pessoas mortas.
O ministro destacou que o exército russo permanece estagnado e perde mais de 30 mil soldados por mês, razão pela qual o único recurso restante ao Kremlin é intensificar os ataques contra a população civil. Segundo ele, porém, o terrorismo russo não altera o quadro estratégico da guerra.
"Cada ataque noturno da Rússia deve ser seguido por novas sanções já na manhã seguinte. Cada ato de terror deve aumentar automaticamente o custo da agressão", enfatizou.
O chefe da diplomacia ucraniana ressaltou que a defesa antibalística deve tornar-se uma causa comum de toda a Europa e conclamou os parceiros a buscarem todas as possibilidades para fornecer esses sistemas às Forças de Defesa da Ucrânia.
"Do ponto de vista estratégico, precisamos de um escudo antibalístico europeu. Trata-se da segurança da Europa e de sua autonomia estratégica", declarou, agradecendo aos aliados que já aderiram a essa iniciativa.
Andrii Sybiha também abordou a questão das operações ucranianas de longo alcance. Segundo o ministro, somente no último mês as Forças de Defesa da Ucrânia atingiram 18 refinarias de petróleo e instalações relacionadas. Além disso, informou que a Ucrânia está implementando um bloqueio logístico destinado a interromper as cadeias de abastecimento militar russas nos territórios temporariamente ocupados, incluindo a rodovia que liga Rostov do Don a Mariupol, Melitopol e à Crimeia. De acordo com o ministro, essa nova realidade já é sentida pelos militares russos na península ocupada e em outras áreas sob ocupação temporária.
Referindo-se à declaração de Vladimir Putin, feita durante conversa com o Presidente Donald Trump, sobre uma suposta disposição para reunir-se com o Presidente Volodymyr Zelenskyy em Moscou, o ministro afirmou que se trata de mais uma demonstração de desprezo pelos esforços de paz. Ressaltou que Moscou e Minsk não constituem plataformas aceitáveis para negociações, mas reiterou que a Ucrânia está pronta para considerar qualquer outro local adequado.
"O Presidente Volodymyr Zelenskyy está preparado para reunir-se com vistas a alcançar um progresso real. Ele está disposto a assumir essa responsabilidade. Agora é necessária uma pressão unificada sobre a Rússia para tornar possível esse encontro", afirmou.
Na avaliação de Andrii Sybiha, um eventual acordo entre Teerã e Washington poderá abrir caminho para um retorno mais ativo dos Estados Unidos ao processo de paz.
O ministro também abordou a integração europeia da Ucrânia:
"Neste momento, estou viajando da Ucrânia para a Moldávia. Nossos dois países estão entrando em uma nova etapa do caminho rumo a Bruxelas. Nas próximas horas abriremos um novo capítulo de nossa história comum — ou, mais precisamente, um novo cluster", informou.
Andrii Sybiha agradeceu aos 27 Estados-membros da União Europeia e, em particular, à Presidência cipriota do Conselho da UE, pelo apoio à abertura do primeiro cluster das negociações de adesão. Ressaltou que a melhor resposta ao terrorismo russo será a plena integração da Ucrânia à União Europeia e que o próximo passo deverá ser a abertura dos cinco clusters restantes.
O ministro afirmou que a Ucrânia é capaz de fortalecer a União Europeia e reiterou a posição do governo ucraniano sobre sua adesão:
"Nosso objetivo é a adesão plena. Não existe alternativa, nem do ponto de vista do direito da União Europeia, nem diante das turbulências do mundo atual. O tempo das meias medidas acabou. Assim como o tempo das garantias apenas no papel."
Andrii Sybiha saudou as novas sanções adotadas pela União Europeia e os trabalhos em curso para a preparação do 21.º pacote de sanções contra a Federação Russa.
"Saúdo especialmente a futura proibição de entrada para combatentes russos. Isso fará com que qualquer decisão de participar da chamada 'operação militar especial' passe a ter consequências concretas. Devemos também incluir os mercenários estrangeiros", acrescentou.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia manifestou profunda gratidão aos povos e governos europeus pelo apoio contínuo à Ucrânia e destacou, em particular, o papel da Hungria. Segundo ele, em apenas dois meses, Kyiv e Budapeste conseguiram superar anos de bloqueio nas relações bilaterais e iniciar um processo de reaproximação.
"Chegou a hora de a Europa assumir um papel mais ativo e exercer uma influência decisiva", concluiu Andrii Sybiha.