Na terça-feira, 23 de setembro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou na reunião da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas, realizada na sede da ONU em Nova Iorque (EUA). No evento participaram representantes de 41 Estados, incluindo membros de famílias reais.
Os copresidentes da Coligação — o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e o Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney — abriram a sessão e sublinharam que a união dos esforços de todos os que estão comprometidos com os valores do humanismo e dos direitos humanos permitirá obrigar a Rússia a devolver as crianças ucranianas raptadas para casa.
Na reunião estiveram presentes a Primeira-Dama Olena Zelenska, que se dedica à dimensão humanitária e, em particular, a programas de reabilitação de crianças; o Chefe do Gabinete do Presidente, Andrii Yermak, que desempenha um papel importante nos esforços diplomáticos para o regresso das crianças deportadas à Ucrânia; e altos funcionários dos países membros da coligação.
A Primeira-Dama, no seu discurso, contou as histórias de crianças ucranianas que foram raptadas ou deportadas pela Rússia:
“A Ucrânia não pode trazê-las todas de volta sozinha. A Rússia recusa-se a fornecer informações, inclusive às organizações internacionais, e ignora a Convenção de Genebra. É por isso que, juntamente com os nossos parceiros, criámos a Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas. Estou grata ao Canadá, aos Estados Unidos e a todos os que se juntaram a nós desde o início”, — afirmou Zelenska.
No seu discurso, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha destacou que o regresso das crianças ucranianas não pode ser objeto de negociação política, mas sim um dever humanitário, uma exigência do direito internacional e uma responsabilidade partilhada pelo futuro:
“O que a Rússia fez e continua a fazer às crianças ucranianas não são casos isolados.
Deportação, russificação, doutrinação, destruição da identidade ucraniana, militarização da infância — tudo isto é uma política deliberada do agressor.
Estas ações são genocídio, e o mundo não pode fechar os olhos a isto.
O Ministro afirmou que os mandados de detenção emitidos pelo Tribunal Penal Internacional contra Putin e a sua comissária para os direitos das crianças, o reconhecimento pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos do caráter sistemático destas violações, bem como a inclusão da Rússia pelo Secretário-Geral da ONU na chamada “lista da vergonha” pelos crimes graves contra crianças em conflitos armados, são passos importantes, mas são necessários esforços adicionais.
“Devemos continuar a reforçar a pressão, alargar as sanções, insistir numa monitorização eficaz e alcançar o regresso das crianças.
Cada criança que a Rússia ainda mantém é uma sentença contra a humanidade”, — sublinhou Sybiha.
Andrii Sybiha também destacou que a reunião de hoje da Coligação é mais um sinal enviado ao Kremlin por 41 Estados, demonstrando que o mundo está unido e determinado a exigir o regresso das crianças ucranianas a casa.
“O regresso das nossas crianças é o caminho para uma paz justa.
Para alcançar uma paz verdadeira, é essencial que os direitos das crianças sejam restaurados e que as famílias sejam reunidas.
Juntos, vamos assegurar que cada criança ucraniana volte para casa — para a sua família, para o seu país, para o seu futuro”, — afirmou o Ministro.
No discurso de encerramento, em nome do Presidente da Ucrânia, Andrii Sybiha agradeceu aos participantes pela solidariedade inabalável e classificou o evento como histórico. O Ministro expressou especial gratidão ao Canadá, copresidente da Coligação, pelo seu apoio constante e liderança eficaz.
O Ministro acrescentou ainda que a Ucrânia e o Canadá publicarão um relatório conjunto dos copresidentes com os resultados da reunião, que refletirá as discussões dos participantes e enumerará os compromissos assumidos.