Na quarta-feira, 24 de setembro, na sede da ONU em Nova Iorque, teve lugar a quinta cimeira da Plataforma Internacional da Crimeia. O evento contou com a participação de mais de 60 intervenientes, incluindo 19 chefes de Estado e de Governo, ministros e altos representantes de 34 países de todos os continentes e 7 organizações internacionais.
Ao dirigir-se aos participantes da cimeira, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, sublinhou que foi precisamente na Crimeia que a Rússia violou uma das regras fundamentais da convivência pacífica entre os povos — ao tentar anexar ilegalmente a península ucraniana. Segundo ele, foram as ações da Rússia na Crimeia que mostraram a muitos “predadores” em todo o mundo como seria possível ocupar parte do território de outro Estado.
«Não podemos permitir que a guerra se torne parte da norma. A Rússia quer muito transformar a guerra numa “nova norma”. E é precisamente isso que devemos travar — não permitir que os assassinatos e a ocupação russa se tornem algo perante o qual o mundo possa simplesmente fechar os olhos. Não deve haver qualquer alívio ou levantamento das sanções contra a Rússia enquanto durar a guerra e a ocupação. E não deve haver qualquer perdão pelo que a Rússia fez — desde 2014. O ocupante deve ser responsabilizado pela ocupação e por todos os seus crimes», declarou o Chefe de Estado.
Na sua intervenção inicial, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, afirmou que a representação recorde na cimeira deste ano testemunha não apenas o apoio à Ucrânia, mas também o firme apoio ao princípio mais importante das Nações Unidas — a integridade territorial dos Estados.
“O mais importante é que esta cimeira envia uma forte mensagem de esperança aos ucranianos na Crimeia, aos tártaros da Crimeia, a todos os que mantêm a esperança de ver a justiça restabelecida. O mundo não esqueceu, a Ucrânia não esqueceu, e nós nunca vos abandonaremos, nem ao nosso objetivo de restaurar a justiça”, sublinhou o ministro.
O chefe da diplomacia salientou que o número crescente de participantes da cimeira demonstra que a questão da Crimeia e do princípio da integridade territorial continua a ser de importância crítica para todo o mundo. Segundo o ministro, para a Ucrânia, enquanto Estado fundador da ONU, a Carta da organização não é apenas um documento, mas a pedra angular do direito internacional.
“A restauração da integridade territorial da Ucrânia é fundamental para restaurar a autoridade da Carta da ONU. O direito internacional deve prevalecer. A paz deve ser restabelecida”, afirmou.
O líder do povo tártaro da Crimeia, Mustafa Dzhemilev, dirigiu-se aos participantes da cimeira recordando a história de repressão da Rússia contra os tártaros da Crimeia e apelou a uma política firme face ao agressor, à não-reconhecimento dos territórios temporariamente ocupados e ao regresso da Crimeia à Ucrânia.
Altos representantes dos países participantes salientaram nos seus discursos o apoio à integridade territorial da Ucrânia e enfatizaram que a Crimeia é parte integrante da Ucrânia.
No final, Andrii Sybiha expressou profunda gratidão a cada Estado solidário com a Ucrânia e que partilha o objetivo final de restaurar uma paz abrangente, justa e duradoura, baseada na Carta da ONU.
Como resultado da cimeira, os participantes aprovaram a Declaração de Nova Iorque, cujas disposições correspondem claramente a todas as decisões da Assembleia Geral da ONU e apelam à Federação Russa para cessar imediatamente a agressão armada e retirar as suas tropas de todos os territórios ilegalmente ocupados da Ucrânia, incluindo a República Autónoma da Crimeia.