Andrii Sybiha no Conselho de Segurança da ONU: o povo ucraniano deve determinar os termos da paz
19 novembro 2024 13:45

No dia 18 de novembro, durante a sua visita a Nova Iorque, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou numa reunião ministerial do Conselho de Segurança da ONU, convocada pela presidência britânica e dedicada aos 1000 dias de resistência do povo ucraniano à agressão russa em grande escala.

"Estava a caminho para esta reunião quando um dos maiores ataques aéreos dos últimos meses acontecia. A Rússia lançou mais de duzentos drones e mísseis contra as cidades ucranianas pacíficas. A Rússia voltou a atacar as infraestruturas civis críticas. Os edifícios residenciais comuns. O sistema energético. As subestações de transmissão das nossas centrais nucleares. Trata-se da ameaça direta à segurança nuclear", afirmou o Ministro no seu discurso.

Andrii Sybiha afirmou que estes ataques são uma resposta da Rússia a todos os que recentemente telefonaram e visitaram Putin, pedindo-lhe paz.

"Putin quer a guerra, não quer a paz. Temos de aumentar o preço da guerra para ele", afirmou.

O ministro sublinhou que mil dias de resistência da Ucrânia à agressão russa provam a coragem da Ucrânia, mas, ao mesmo tempo, mostram a incapacidade da comunidade internacional para terminar as guerras de agressão e as atrocidades.

"Sejamos honestos - os mecanismos internacionais não estão a funcionar. Precisamos de criar os novos instrumentos. Precisamos de ter princípios e estar unidos para restaurar o respeito pela Carta das Nações Unidas", sublinhou o Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

O Ministro enfatizou que mil dias de resistência à guerra total é um preço enorme a pagar por uma nação que quer ser livre e viver uma vida normal. Acrescentou que o preço da guerra russa é pago não só pelos ucranianos, mas também por pessoas de todo o mundo.

"Ao lançar a sua invasão, a Rússia prejudicou muitos outros países e pessoas, não apenas a Ucrânia. Esta invasão agravou muitas crises mundiais. A Rússia está a transformar alimentos, energia e outros recursos em armas, o que está a causar sofrimento a milhões de pessoas", afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Andrii Sybiha recordou que o bloqueio naval da Rússia aos portos ucranianos levou à escassez de alimentos e ao aumento recorde dos preços dos mesmos. Segundo ele, cerca de quatrocentos milhões de pessoas em todo o mundo dependem dos cereais ucranianos. Muitas delas correm o risco de passar fome a sério.

O Ministro sublinhou que a Rússia está também a transformar a energia numa arma e a pôr em perigo as pessoas não só na Ucrânia mas também noutros países. Acrescentou ainda que a guerra da Rússia se tornou um dos principais fatores que abrandou o crescimento económico global e aumentou a inflação.

Andrii Sybiha chamou a atenção dos presentes para o facto de a violação flagrante do direito internacional pela Rússia ter provocado uma crise de segurança global. Ele salientou que, se a agressão da Rússia for bem sucedida, outros agressores sentir-se-ão tentados a atacar os seus vizinhos e a cometer atrocidades.

"Desde o início da agressão armada em 2014, a Rússia violou cerca de quatrocentos tratados internacionais. As despesas com a defesa em todo o mundo estão a aumentar e a desviar recursos da educação, dos cuidados de saúde, das alterações climáticas e de outras questões globais importantes", afirmou o ministro.

"Imagine o que é perder num segundo uma mulher jovem e bonita junto com três filhos de dez anos, dois anos, e apenas dois meses de idade. Visto que a sua casa foi atingida por um drone russo. Foi o que aconteceu há alguns dias a Maksym Kulyk, de 34 anos, da cidade de Kryvyi Rih. Este é o preço da guerra", afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Andrii Sybiha sublinhou que ninguém no mundo paga um preço mais elevado pela agressão russa do que o povo da Ucrânia. Por isso, o povo ucraniano deve determinar os termos da paz.

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