Para o avanço dos esforços de paz, os aliados precisam introduzir sanções transatlânticas reforçadas contra a Rússia, para que Moscovo sinta a escassez de recursos e tecnologias. Putin deve compreender que a sua agressão não trará resultados e que a continuação da guerra representa uma ameaça para ele pessoalmente e para o seu regime.
Foi o que declarou o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, durante a reunião ministerial no formato “Weimar + Ucrânia” em Varsóvia, juntamente com os seus homólogos da Polónia, Radosław Sikorski, de França, Jean-Noël Barrot, e da Alemanha, Johann Wadephul.
As partes discutiram em detalhe novos pacotes de ajuda militar para a Ucrânia, o reforço do exército ucraniano, bem como o terror russo contra a Ucrânia e a violação sem precedentes por parte da Rússia do espaço aéreo da UE e da NATO.
“Hoje a Rússia procura iniciar uma nova fase da guerra — uma fase de escalada e de guerra híbrida aberta contra toda a comunidade transatlântica. Moscovo provoca e aguarda, observando a reação dos parceiros. Nós e os nossos aliados estamos unidos na visão das nossas ações conjuntas. Temos todos os recursos necessários para obrigar a Rússia a parar a guerra e as provocações”, — salientou Andrii Sybiha.
O chefe da diplomacia sublinhou que a Ucrânia já é um dos principais contribuintes para a segurança do continente e está pronta para partilhar a sua experiência de resistência e dissuasão contra os russos. Segundo ele, a integração do sistema ucraniano de defesa antiaérea num sistema europeu único de defesa aérea deve tornar-se um dos primeiros e decisivos passos para o reforço da defesa coletiva.
Andrii Sybiha informou os parceiros sobre os resultados das negociações entre o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, durante as quais as partes discutiram garantias de segurança para a Ucrânia e a eliminação de quaisquer restrições ao fornecimento e utilização de armamento norte-americano.
“Cada vez que Putin pensar em lançar mais algumas centenas de drones e mísseis contra a Ucrânia, deve compreender que a mesma quantidade ou até mais de mísseis e drones voará em resposta contra a Rússia. Isto já está a acontecer parcialmente. É importante que a Ucrânia alcance a paridade na capacidade de se defender do terror russo”, — observou o ministro.
Os ministros também discutiram a situação na Central Nuclear de Zaporizhzhia Andrii Sybiha declarou que a Rússia está a implementar mais uma operação híbrida especial, destinada a ligar a central ao sistema energético russo, mesmo com os riscos de um incidente nuclear. Segundo ele, Moscovo já construiu uma linha de 200 km desde Melitopol até Mariupol.
“Os russos criaram uma crise com o corte da eletricidade na central e estão a chantagear com a ameaça de um acidente. Isto é um teste para a AIEA e para todos nós. Hoje terei uma reunião separada com Rafael Grossi, onde discutiremos em detalhe os próximos passos. A segurança nuclear deve ser garantida, e a melhor garantia disso é a devolução da Central Nuclear de Zaporizhzhia ao controlo da Ucrânia”, — destacou.
As partes discutiram separadamente a adesão da Ucrânia à UE e a necessidade de abertura, o mais rapidamente possível, dos primeiros clusters de negociação.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia agradeceu aos colegas pelo apoio ao desbloqueio rápido deste processo e manifestou a convicção de que, após os resultados encorajadores das eleições parlamentares na Moldávia, agora é o momento certo para aproveitar a conjuntura e dar um salto em frente no caminho da adesão da Ucrânia e da Moldávia à UE.
O ministro agradeceu ainda aos parceiros pelo forte apoio e pela prontidão para ações decisivas para reforçar a segurança da Europa, bem como à Polónia pela sua liderança na organização do evento.