Na segunda-feira, 29 de setembro, no âmbito do Fórum de Segurança de Varsóvia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou no painel de discussão “Raising the stakes: Should Europe be afraid?” (“Aumentar as apostas: Deve a Europa ter medo?”). Também participaram no debate o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, o Ministro Federal dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, e o Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot.
O chefe da diplomacia ucraniana destacou três pontos essenciais para alcançar a paz: o envolvimento dos EUA, o reforço das sanções contra a Rússia e o fortalecimento da capacidade de defesa da Ucrânia. Andrii Sybiha sublinhou que a Ucrânia pretende pôr fim à guerra o mais rapidamente possível.
Recordando o massivo ataque russo contra a Ucrânia no dia 28 de setembro, o ministro chamou a atenção dos seus homólogos para o facto de a Rússia já estar a travar uma guerra híbrida contra a Europa e que só irá aumentar a escalada.
“Temos de esquecer a perceção de que a Ucrânia é uma zona tampão. Somos uma parte integrante da segurança europeia. A segurança ucraniana e a segurança europeia são indivisíveis”, sublinhou.
Andrii Sybiha destacou a importância de sincronizar as sanções europeias com as medidas restritivas dos EUA. Na sua opinião, as sanções são o instrumento-chave para obrigar Putin a sentar-se à mesa das negociações.
“Está na hora de os nossos parceiros se libertarem de ilusões e fantasias. Está na hora de reconhecerem que a Rússia está a travar uma guerra híbrida contra todos nós, contra toda a comunidade transatlântica. A Europa e os EUA não estão em guerra contra a Rússia, mas a Rússia está em guerra contra a Europa e contra os EUA”, afirmou o ministro.
O chefe da diplomacia salientou que um elemento essencial da luta conjunta contra a Rússia é o fortalecimento da Ucrânia e a plena utilização dos ativos russos congelados.
“Contamos seriamente com medidas decisivas para a utilização integral dos ativos russos, de modo a que a Ucrânia já possa adquirir armamento adicional na América e na Europa. Para os ucranianos, isso pode ser um instrumento eficaz e uma resposta forte à escalada da Rússia”, declarou.
O ministro destacou a importância do recente e bem-sucedido encontro entre o Presidente Volodymyr Zelensky e o Presidente dos EUA, Donald Trump, e voltou a confirmar a disposição da parte ucraniana em organizar uma reunião entre os líderes da Ucrânia e da Rússia, cujo resultado deveria ser um cessar-fogo.
Segundo Andrii Sybiha, é importante não apenas encontrar um caminho para terminar a guerra, mas também impedir uma agressão futura. A solução reside na construção de uma infraestrutura de defesa e em garantias de segurança sólidas e juridicamente vinculativas. O ministro destacou ainda o papel dos EUA no apoio às iniciativas de paz e sublinhou a importância de assegurar, no pós-guerra, a presença militar de tropas europeias e de outros parceiros na Ucrânia, com o apoio dos EUA.
Um elemento crucial das garantias de segurança deve ser a plena adesão da Ucrânia à União Europeia. Neste contexto, Andrii Sybiha destacou a relevância dos resultados das eleições parlamentares realizadas na Moldávia a 28 de setembro. Sublinhou que a Rússia não conseguiu influenciar o processo democrático do povo moldavo e que este é um grande dia para a Europa.
O chefe da diplomacia ucraniana apelou aos parceiros para que aproveitem este momento, encontrem a fórmula certa para ultrapassar o veto da Hungria e abram, num futuro próximo, os primeiros clusters de negociação para a Ucrânia e para a Moldávia.
Andrii Sybiha expressou confiança de que, apesar da dimensão dos desafios atuais, a Ucrânia, em conjunto com os seus aliados, está a avançar para uma paz justa, abrangente e duradoura.