29 e 30 de setembro são dias de luto pelas vítimas inocentes executadas pelos ocupantes nazis no vale de Babi Yar, em Kyiv.
Nesses dias de 1941, quase 34 mil judeus — homens, mulheres, crianças e idosos — foram assassinados pelas mãos dos nazis.
Nos dois anos seguintes, mais de 100 mil pessoas foram torturadas e assassinadas em Babi Yar — incluindo judeus, ucranianos, ciganos, prisioneiros de guerra, membros da resistência, detidos do campo de concentração de Syrets e reféns civis.
Estes horríveis massacres permanecem um doloroso lembrete dos crimes nazis durante o Holocausto, sendo os assassinatos em Babi Yar dos mais brutais. Estas atrocidades personificaram uma ideologia agressiva e chauvinista, o desprezo pelos direitos humanos e a violação dos princípios universalmente reconhecidos de humanismo.
Hoje, recordamos estes trágicos acontecimentos pela quarta vez em meio à contínua invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia. No território ucraniano, tal como durante a Segunda Guerra Mundial, ocorrem novamente atrocidades terríveis: assassinatos massivos, sistemáticos e deliberados de civis inocentes, deportações em larga escala de crianças, tortura e maus-tratos, destruição de infraestruturas civis e do património cultural, tudo com o objetivo de destruir ou alterar a identidade nacional.
Apesar das circunstâncias de guerra, a Ucrânia mantém de forma consistente a memória histórica e protege os direitos das pessoas de todas as nacionalidades e crenças. O nosso país assegura, mesmo em tempo de guerra, a realização anual da peregrinação de dezenas de milhares de fiéis hassídicos a Uman durante o Ano Novo Judaico — Rosh Hashaná.
Este ano, cerca de 40 mil peregrinos visitaram Uman, estabelecendo um recorde durante os anos de guerra da Rússia contra a Ucrânia e demonstrando o compromisso da Ucrânia com os princípios da liberdade religiosa e do diálogo intercultural.
Em 2025, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia lançou o projeto “Diplomacia da Memória”, destinado a reforçar o papel do serviço diplomático na preservação da verdade histórica e a prevenir tentativas de distorção da mesma, incluindo a luta contra notícias falsas russas.
A memória das vítimas de Babi Yar deve inspirar todos a agir no presente — protegendo os valores fundamentais da dignidade humana, liberdade e justiça. Só através de esforços conjuntos podemos construir um mundo onde tragédias como estas nunca mais se repitam.