Chegou o momento de reforçar o papel da Europa nos esforços de paz, não como alternativa à principal via diplomática liderada pelos EUA, mas como seu importante complemento. O envolvimento da Europa no processo de paz poderia contribuir para a resolução de questões concretas, nomeadamente relativas ao cessar-fogo na zona dos aeroportos.
Foi o que declarou o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, durante a sua participação na conferência do Instituto Polaco de Assuntos Internacionais (PISM) «Strategic Ark», em Varsóvia. Na discussão participou também o Vice-Primeiro-Ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski.
«Contamos que, num futuro próximo, sejam abertos seis clusters. Esperamos o apoio da parte polaca. Isto também corresponde aos interesses da Polónia e de toda a Europa», assinalou o chefe da diplomacia da Ucrânia.
O Ministro voltou a sublinhar a necessidade de continuar a pressão sobre Moscovo, manter o envolvimento dos EUA e aumentar para a Federação Russa o preço da continuação da agressão.
Segundo ele, Putin deve compreender que nunca alcançará os seus objetivos na Ucrânia, e que a força viva russa já não é a sua vantagem, graças aos drones ucranianos no ar, na água e em terra.
«As tecnologias ucranianas de veículos não tripulados são um game changer e um fator que nos assegura vantagem. Nos últimos anos, reuni uma pequena coleção de notas diplomáticas de Estados muito influentes com apelos para não realizar ataques contra a Rússia durante desfiles com a participação dos seus líderes. Isto é o reconhecimento das nossas capacidades e mais um sinal: não se deve subestimar a Ucrânia. A Ucrânia mantém as posições, e temos argumentos fortes», observou o chefe da diplomacia.
Andrii Sybiha declarou que a Ucrânia está aberta a um Drone Deal com os EUA e a UE, coopera com os parceiros americanos, bem como está pronta para contribuir para a proteção do espaço aéreo da UE com os seus próprios drones e tecnologias.
«Trata-se da nossa experiência única de combate, de tecnologias avançadas e de produção conjunta. Estamos interessados em ampliar esta cooperação, pois isso corresponde aos nossos interesses comuns. Temos também entendimentos quanto ao envio de instrutores ucranianos para a preparação dos exércitos dos Estados parceiros», assinalou o Ministro.
O chefe da diplomacia também informou sobre a ausência de atrasos no fornecimento de armamento dos EUA no âmbito do programa PURL. Ao mesmo tempo, sublinhou que os parceiros devem reforçar a sua própria capacidade na produção de armamento e equipamento criticamente importantes. O Ministro acrescentou que a Ucrânia está aberta a essa cooperação com os aliados, nomeadamente com a Polónia.
«Durante a guerra, aprendemos uma lição importante: é necessário ser mais autossuficientes. Ampliámos o complexo industrial de defesa e, atualmente, asseguramos mais de 40% das necessidades do exército. Ao mesmo tempo, a Ucrânia necessita de sistemas de defesa antiaérea capazes de intercetar alvos balísticos. Atualmente, avançamos na criação do nosso próprio sistema nacional de defesa antiaérea», assinalou ele.
Neste contexto, o Ministro informou que a Ucrânia já se dirigiu a uma série de parceiros quanto à possibilidade de localização da produção de determinados tipos de armamento criticamente importantes e tem uma série de propostas sérias.
Andrii Sybiha também sublinhou que o apoio da Ucrânia aos Estados do Golfo no contexto do terror iraniano demonstrou o novo papel da Ucrânia como parceiro de segurança e exportador de segurança.