Com a queda do regime de Bashar al-Assad, o corajoso povo sírio pode finalmente virar a página negra do domínio do clã Assad, marcado por mais de meio século de repressão, corrupção, eliminação de qualquer elemento de democracia e pluralismo, total ausência de Estado de Direito, tirania das forças de segurança e outras violações dos direitos humanos.
Durante décadas, o regime de Assad negligenciou os interesses do seu próprio povo para se perpetuar no poder, transformando a Síria num estado pária que dependia da proteção e apoio de outras ditaduras. A sua queda é mais um exemplo de como Putin sempre trai aqueles que nele confiam. Assim foi no passado e assim será no futuro para todos os ditadores que apostam no apoio da Rússia.
Os eventos na Síria demonstram a fraqueza do regime de Putin, incapaz de lutar em duas frentes e que abandona os seus aliados mais próximos para continuar a sua agressão contra a Ucrânia.
O colapso do regime de Assad enfraquecerá significativamente o expansionismo da Rússia, que durante anos utilizou o território sírio, os seus recursos e o seu povo como base para espalhar a sua influência destrutiva no Médio Oriente, desestabilizar a segurança e a estabilidade regionais e criar focos de ameaça para os estados vizinhos da Síria.
Estamos convencidos de que o direito de determinar o rumo do desenvolvimento futuro e da reconstrução do país deve pertencer exclusivamente aos sírios, que merecem viver num estado livre, democrático e regido pelo Estado de Direito. Como enfatizado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, o objetivo principal agora é restaurar a segurança na Síria e proteger efetivamente o seu povo da violência. Todos os esforços devem ser feitos para estabilizar a região e garantir um diálogo político inclusivo na Síria, em prol de instituições estatais eficazes.
É importante que o povo sírio, que sofreu terrivelmente, mantenha a união e a integridade do seu estado.
Instamos as futuras autoridades sírias a reconsiderarem a relação com o regime de Putin, que resultou na morte de dezenas de milhares de cidadãos sírios, incluindo mulheres e crianças inocentes.
Estamos confiantes de que o fim da presença russa na Síria é crucial para a segurança a longo prazo do país. Onde quer que militares ou mercenários russos estejam presentes, eles trazem apenas morte, destruição, instabilidade e anarquia.
Recordamos que foi Moscovo que incitou o regime de Assad a reconhecer ilegalmente a tentativa da Rússia de anexar a Crimeia, bem como a ocupação temporária de partes das regiões de Donetsk e Luhansk, levando a Ucrânia a romper relações diplomáticas com o regime criminoso de Assad em 2022.
Esperamos que, no futuro, a Síria se torne um estado que respeite o direito internacional, incluindo a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, abrindo caminho para a restauração das relações bilaterais e para um diálogo político pleno entre Kyiv e Damasco.