O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia prestou atenção ao parágrafo 36 da Declaração final da Cimeira dos BRICS em Kazan, dedicada à Ucrânia, em que os participantes se limitaram a recordar as suas posições nacionais em relação à situação na Ucrânia, o seu compromisso com os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, bem como a resolução pacífica e a diplomacia.
Acreditamos que este texto mostra, na realidade, que a Rússia não conseguiu “exportar” para os participantes da Cimeira dos BRICS as suas opiniões neo-imperialistas sobre a alteração da ordem mundial e da arquitetura de segurança global devido à sua agressão contra a Ucrânia.
As tentativas de Moscovo de impor a ideia de uma posição alegadamente alternativa do chamado “Sul Global” sobre a agressão da Rússia contra a Ucrânia sofreu outro fiasco.
A Declaração demonstrou que os BRICS, como um agrupamento, não têm uma única posição sobre a agressão russa contra a Ucrânia. Estamos convencidos de que isso está relacionado com o apoio da maioria absoluta destes países aos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, como também se afirma na declaração. Esse apoio é incompatível com o apoio à agressão ou à redefinição de fronteiras pela força e, por conseguinte, incompatível com o apoio à Rússia e à sua guerra agressiva contra a Ucrânia.
A Cimeira dos BRICS, que a Rússia tencionava utilizar para dividir o mundo, demonstrou mais uma vez que a maioria do mundo permanece ao lado da Ucrânia no seu desejo de garantir o estabelecimento da paz abrangente, justa e sustentável, baseada no respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas, incluindo o princípio da integridade territorial dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.
Recordamos que a única forma de a conseguir é através da Fórmula da Paz. Apelamos a todos os países que estão do lado do direito internacional, e não do direito da força, a aderirem à sua implementação.