Comentário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia sobre a nova etapa da guerra na Síria
02 dezembro 2024 17:21

A Ucrânia acompanha com preocupação a intensificação dos combates na República Árabe da Síria, que tem causado a morte de civis, destruição de infraestrutura e agravamento da situação socioeconômica e humanitária. O Estado Sírio encontra-se numa nova etapa perigosa da guerra, que pode levar a consequências imprevisíveis para a paz e segurança regional.

Mais de 13 anos de guerra na Síria trouxeram dor e sofrimento imensuráveis ao povo deste país. Mais de meio milhão de cidadãos da Síria perderam a vida, enquanto milhões se tornaram refugiados ou deslocados internos.

O povo sírio, com sua rica diversidade religiosa e étnica, merece viver dignamente em um país livre, moderno e democrático, onde não haja espaço para repressões políticas, tirania, terrorismo, extremismo religioso ou fundamentalismo, e onde prevaleçam o estado de direito e o respeito pelos direitos humanos.

Os sofrimentos e dificuldades enfrentados pelos sírios são resultado do regime criminoso de Bashar al-Assad, que por décadas aplicou uma política brutal de repressão contra o seu próprio povo e ao mesmo tempo transformou o território sírio em um campo de testes para outros regimes criminosos — o russo e o iraniano —, bem como para as forças de aliados, incluindo o grupo "Hezbollah".

A Ucrânia e os ucranianos entendem como ninguém o que esses regimes trazem: morte, sofrimento e destruição. Ainda em 2016, o regime criminoso de Assad reconheceu a anexação russa da Crimeia e, desde o início da invasão em grande escala em 2022, tem auxiliado ativamente os invasores russos, enviando mercenários para lutar contra as Forças de Defesa e Segurança da Ucrânia.

Atualmente, as noites na Ucrânia são marcadas pela constante ameaça de ataques com drones iranianos "Shahed", usados pela Rússia para tornar insuportável a vida dos civis. A cooperação técnico-militar aprofundada entre a Rússia e o Irão já desestabiliza a segurança não apenas na Europa, mas também no Oriente Médio.

Moscovo e Teerão carregam a principal responsabilidade pela degradação da situação de segurança na Síria. Os crimes horríveis cometidos pelos regimes de Assad, Putin e dos aiatolas iranianos colocaram em risco a sobrevivência da Síria como um Estado independente e unificado.

O ditador russo Vladimir Putin e os seus aliados no Irão continuam os seus esforços para manter o controle sobre o regime sírio marionete, associado pela maioria dos sírios à crueldade desumana, tirania e crimes.

Acreditamos que o caminho para a Síria estável, livre e democrática passa pela implementação das resoluções 2254 e 2118 do Conselho de Segurança da ONU, bem como por um diálogo nacional inclusivo.

Neste momento extremamente difícil para o povo sírio, é fundamental preservar a unidade e a integridade da Síria como Estado, garantindo aos sírios paz, estabilidade e uma oportunidade de encerrar o prolongado conflito armado.

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