Comentário do Ministério dos Negócios Estrangeiros por ocasião do Dia em Memória dos Ucranianos Vítimas das Deslocações Forçadas dos Territórios de Povoamento Compacto na Polónia
14 setembro 2026 20:28

Nestes dias, prestamos homenagem à memória dos ucranianos que, entre 1944 e 1951, foram privados à força das suas casas, da sua terra natal e do seu modo de vida habitual, em consequência das deportações de Zakerzónia. Em apenas alguns anos, centenas de milhares de pessoas foram vítimas de deslocações forçadas, da rutura de laços familiares e comunitários e da perda da sua terra de origem.

Em 9 de setembro de 1944, foi celebrado um acordo sobre a denominada «troca mútua de populações» entre a República Socialista Soviética da Ucrânia e o Comité Polaco de Libertação Nacional. Ao abrigo deste acordo, entre 1944 e 1946, cerca de 482 mil ucranianos foram deslocados à força para a República Socialista Soviética da Ucrânia. Estas deslocações foram acompanhadas por repressões, terror, confisco de bens e restrições sistemáticas dos direitos de pessoas que não tinham a possibilidade de decidir livremente o seu próprio destino.

A tragédia não terminou aí. Em 1947, durante a Operação «Vístula», entre 137 e 150 mil ucranianos foram novamente expulsos à força dos seus territórios étnicos e dispersos pelas regiões do norte e oeste da Polónia. As decisões tomadas posteriormente, em 1948 e 1951, conduziram igualmente a novas deslocações de ucranianos.

Não se trata apenas de estatísticas. Por detrás de cada número existe um destino humano, uma família que teve de abandonar a sua casa, uma comunidade privada do seu modo de vida habitual e gerações para as quais a palavra «pátria» ficou para sempre associada à perda do lugar onde nasceram. No total, entre 1944 e 1951, cerca de 670 mil ucranianos foram deslocados à força das regiões de Lemkivshchyna, Nadsiannia, Kholmshchyna, Podláquia Meridional, Liubachivshchyna e Boikivshchyna Ocidental.

A Ucrânia preserva a memória das vítimas destas deportações não para aprofundar divergências históricas, mas para devolver uma dimensão humana a acontecimentos que, durante demasiado tempo, foram analisados apenas através do prisma das decisões políticas do passado. A memória das deslocações forçadas dos ucranianos constitui uma parte importante da nossa memória histórica e deve ocupar o devido lugar no estudo da história comum ucraniano-polaca.

Uma abordagem honesta do passado não cria distância entre os povos — pelo contrário, permite-lhes compreender melhor aquilo que cada um viveu. Ao homenagearmos a memória das vítimas das deportações, recordamos uma vez mais que o direito de cada pessoa ao seu lar, à sua identidade e à sua memória não pode ser anulado por decisões políticas. O respeito pela verdade e pela memória de cada comunidade constitui a base da confiança mútua e das relações de boa vizinhança.

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