Nos dias 10 e 11 de junho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, em conjunto com o Quartel-General de Coordenação para o Tratamento dos Prisioneiros de Guerra, organizou uma visita de representantes das missões diplomáticas estrangeiras acreditadas na Ucrânia ao local de detenção de prisioneiros de guerra “Zakhid-1”. O evento contou com a participação de representantes de 14 Estados, incluindo chefes de missões diplomáticas.
O objetivo da visita foi confirmar o pleno e rigoroso cumprimento, por parte da Ucrânia, das normas do direito internacional humanitário, nomeadamente no que respeita ao tratamento dos prisioneiros de guerra. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente as condições de detenção, conversar com os prisioneiros e avaliar a conformidade das instalações com os requisitos da Terceira Convenção de Genebra. A visita de diplomatas estrangeiros aos prisioneiros de guerra, alguns dos quais são cidadãos de países terceiros, teve igualmente como objetivo importante consolidar os esforços internacionais para combater o recrutamento ilegal de mercenários pela Rússia em países da Ásia, África, América Latina e outras regiões.
A abertura da Ucrânia a este formato de interação constitui uma posição consciente e baseada em princípios, que contrasta fortemente com a prática da Federação Russa. A Rússia viola sistematicamente e de forma grave as normas do direito internacional humanitário, impede o acesso de observadores internacionais aos locais de detenção de prisioneiros de guerra ucranianos e recorre à tortura e a outras formas de tratamento desumano.
Durante a visita ao campo “Zakhid-1”, os representantes do corpo diplomático tiveram a oportunidade de observar diretamente as condições de detenção de cidadãos estrangeiros que a Rússia envolveu na agressão armada contra a Ucrânia através de engano ou coerção. Segundo dados do Quartel-General de Coordenação para o Tratamento dos Prisioneiros de Guerra, pelo menos 3.080 estrangeiros provenientes de 135 países e territórios não reconhecidos combatem ou combateram ao lado da Rússia contra a Ucrânia. O seu número tem aumentado rapidamente: de 34 pessoas em 2022 para quase 14.000 em 2025, enquanto o plano da Rússia para 2026 prevê o recrutamento de mais de 18.500 contratados estrangeiros. Muitos deles foram recrutados sob o pretexto de emprego civil, sem qualquer aviso prévio sobre a eventual participação em operações militares. Outros foram forçados a assinar contratos, explorando-se a sua vulnerabilidade jurídica, incluindo vistos expirados, ausência de estatuto legal ou a sua detenção por infrações à legislação migratória da Federação Russa.
A Ucrânia apela aos Estados parceiros e à comunidade internacional para que adotem medidas concretas destinadas a combater as atividades ilegais de recrutamento conduzidas pela Rússia, informem os seus cidadãos sobre a verdadeira natureza do chamado “serviço por contrato” nas forças armadas russas e responsabilizem a Federação Russa pelas violações sistemáticas e graves do direito internacional humanitário.