Na terça-feira, 31 de março, sob a copresidência do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, e da Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, realizou-se uma reunião ministerial descentralizada da UE — um formato realizado pela primeira vez em Kyiv em outubro de 2023.
O evento tornou-se um importante sinal de que, apesar do surgimento de novas crises e das dinâmicas mudanças geopolíticas, a União Europeia permanece plenamente focada no apoio à Ucrânia.
A programação começou com uma visita à cidade de Bucha, com o objetivo de enfatizar que a responsabilização da Rússia pelos crimes cometidos não é uma questão teórica, mas concreta, sendo parte essencial para alcançar uma paz justa e duradoura.
Durante a reunião, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, dirigiu-se aos ministros europeus:
“Somente ao defender a verdade e restaurar a justiça o mundo terá uma chance de um futuro pacífico”, destacou.
Também participaram representantes do governo ucraniano, incluindo a primeira-ministra Yuliia Svyrydenko, o primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Energia Denys Shmyhal, o ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, a ministra dos Assuntos dos Veteranos Nataliia Kalmykova, entre outros.
No âmbito da reunião, foram discutidos diversos temas da agenda Ucrânia–UE, incluindo a adesão da Ucrânia à União Europeia, o apoio dos Estados-membros e o reforço do isolamento da Rússia.
Andrii Sybiha destacou a importância de manter a resistência à agressão russa entre as principais prioridades internacionais, “num momento em que a atenção global está voltada para o Oriente Médio”.
“Esta é uma guerra em larga escala no centro da Europa. Uma guerra contra a Europa”, enfatizou.
O ministro observou que a segurança da Ucrânia e da UE é indivisível, destacando decisões recentes da Comissão Europeia como prova disso.
Ele também sublinhou o papel da Ucrânia como um importante parceiro de segurança para países europeus e outros Estados, ressaltando que o envolvimento ucraniano no Oriente Médio demonstra sua capacidade de oferecer soluções concretas e eficazes.
Ao final da reunião, foi anunciado que Alemanha, Reino Unido e Moldávia declararam prontidão para aderir ao acordo de criação de um Tribunal Especial para o crime de agressão contra a Ucrânia. Segundo o ministro, 13 Estados-membros do Conselho da Europa e um país fora dele já estão prontos para aderir.
“Esperamos um número muito maior de participantes. Dezesseis é apenas o mínimo jurídico”, afirmou.
O ministro também destacou o papel do Conselho da Europa e do seu Secretário-Geral, Alain Berset, no processo de criação do tribunal.
Andrii Sybiha enfatizou a necessidade de aumentar a pressão sobre a Rússia para pôr fim à agressão e restaurar a paz. Segundo ele, a abordagem “security first” deve substituir definitivamente a lógica de “business as usual”.
“Adiar o 20º pacote de sanções da UE significa adiar a paz na Europa”, afirmou.
Outro tema importante foi o lançamento do instrumento financeiro Ukraine Support Loan, no valor de 90 bilhões de euros. O ministro destacou a importância de sua implementação e expressou esperança de que o primeiro desembolso ocorra em breve.
Os chefes de diplomacia também discutiram formas de acelerar a adesão da Ucrânia à UE. Sybiha reafirmou a prontidão do país para cumprir todas as exigências, defendendo uma avaliação justa baseada em resultados concretos.
Foi dada atenção especial a uma sessão dedicada à política de veteranos e à reintegração de militares e ex-prisioneiros. Participaram a ministra Kalmykova, o veterano Ruslan Topchan e o defensor de direitos humanos e ex-prisioneiro do Kremlin Maksym Butkevych, que destacaram a importância do apoio europeu.
O ministro ressaltou que esta foi a primeira vez que tais temas receberam atenção detalhada em uma reunião ministerial da UE, agradecendo especialmente à Croácia pelo apoio.
À margem do encontro, o Presidente Volodymyr Zelenskyy, o ministro Andrii Sybiha e Kaja Kallas conheceram o trabalho da fundação beneficente “Pivnyk”.
A organização presta assistência médica especializada a militares com deficiência auditiva, incluindo cirurgias e reabilitação completa financiada por doações.
Por fim, o ministro agradeceu aos parceiros europeus pelo apoio abrangente à Ucrânia.
A cooperação entre Kyiv e Bruxelas continua a aproximar a Europa de uma paz justa e duradoura.