Há 81 anos, o regime de Estaline forçou os tártaros da Crimeia a abandonar as suas casas, deportando-os à força para a Ásia Central.
A Ucrânia nunca esquecerá este crime, que foi uma tentativa de destruir o povo indígena da Crimeia, privá-lo da sua terra ancestral e da sua memória histórica.
Apesar de tudo, os tártaros da Crimeia que sobreviveram à deportação mantiveram-se firmes e transmitiram às gerações futuras o sentimento de dignidade e pertença ao seu povo. Posteriormente, o povo tártaro da Crimeia regressou à Crimeia, à sua terra natal, à fonte da sua identidade nacional. As autoridades ucranianas desempenharam um papel importante nesse regresso.
Agradecemos a todos os Estados que, juntamente com a Ucrânia, reconheceram a deportação estalinista como genocídio do povo tártaro da Crimeia. Apelamos a outros países para que sigam este exemplo. O reconhecimento da deportação de 1944 como genocídio restabelece a justiça histórica, homenageia a memória das vítimas deste crime e demonstra solidariedade com o povo tártaro da Crimeia na sua atual luta pela liberdade e pelo direito de viver na sua terra natal.
A Rússia atual continua a política estalinista e tenta privar os tártaros da Crimeia da sua pátria. A ocupação russa da Crimeia trouxe ao território a repressão e graves violações dos direitos humanos. Esta nova vaga de repressão persegue o mesmo objetivo genocida de há 81 anos: expulsar os tártaros da Crimeia da sua terra natal.
As autoridades de ocupação russas proibiram as atividades do Mejlis e perseguem massivamente os tártaros da Crimeia por motivos políticos e religiosos, realizam buscas, intimidam e matam. Recordamos todos os tártaros da Crimeia que ainda estão nas prisões russas sob acusações forjadas e não deixaremos de lutar pelo seu regresso.
Estamos convictos de que, tal como no passado, Moscovo não conseguirá privar o povo tártaro da Crimeia da sua honra e dignidade.
Hoje, os tártaros da Crimeia, lado a lado com os ucranianos, resistem à agressão russa — nas fileiras das Forças de Defesa da Ucrânia e também através da resistência ativa à ocupação na Crimeia temporariamente ocupada. A nossa força está na nossa unidade. Iremos, sem dúvida, vencer. Os povos que continuam a sua luta acabarão, inevitavelmente, por recuperar o que lhes foi roubado. Acreditamos no regresso a casa de todos os cidadãos da Ucrânia que foram forçados a deixar a sua pátria. A Crimeia é Ucrânia.