Há doze anos, na Crimeia ucraniana, ocorreu um acontecimento que demonstrou a luta do nosso povo pelo seu Estado, pela independência e pela dignidade.
Em 26 de fevereiro de 2014, em Simferopol, milhares de cidadãos da Ucrânia - ucranianos, tártaros da Crimeia e representantes de outras comunidades nacionais - participaram numa manifestação em apoio à integridade territorial da Ucrânia.
Isto aconteceu num contexto em que a Federação Russa já tinha iniciado uma guerra de agressão contra o nosso Estado, cuja primeira etapa foi a ocupação temporária da península da Crimeia. Nesse dia, os habitantes da Crimeia ergueram a sua voz contra a agressão, participando num protesto pacífico - apesar da ameaça direta das forças militares russas, que já ocupavam edifícios administrativos e bloqueavam unidades militares ucranianas na península.
Naquele momento, a comunidade internacional não reagiu com suficiente firmeza às ações do Kremlin nem tomou medidas concretas para impedir a ocupação temporária da península. Sentindo-se impune, a Federação Russa expandiu posteriormente a agressão para outras regiões da Ucrânia e, oito anos depois, lançou uma invasão militar em larga escala contra o nosso Estado.
Ao mesmo tempo, os acontecimentos de 26 de fevereiro de 2014 entraram para a história como testemunho vivo da resistência da Crimeia às intenções expansionistas da Federação Russa. O nosso povo lutou desde o início, quando o mundo apenas observava. Ficou registado para sempre: a Crimeia não se rendeu sem resistência - e essa resistência continua viva até hoje.
Já naquela altura, as autoridades russas compreenderam perfeitamente que os cidadãos da Ucrânia não aceitariam a tentativa de anexação ilegal da República Autónoma da Crimeia e da cidade de Sevastopol. Não cessariam a resistência às forças de ocupação, demonstrando claramente ao mundo que a Crimeia é Ucrânia.
A administração de ocupação russa mobiliza todos os meios para quebrar essa resistência. Transformou a península da Crimeia numa zona de repressão sistemática. Buscas e detenções ilegais, sentenças politicamente motivadas, perseguição por motivos religiosos e étnicos, mobilização forçada, doutrinação de crianças e jovens, perseguição de jornalistas e defensores dos direitos humanos - tudo isto se tornou instrumento de manutenção do regime de ocupação.
Segundo informações disponíveis, a Rússia persegue 1.684 pessoas no território temporariamente ocupado da República Autónoma da Crimeia, sujeitando-as a detenções, sanções administrativas, multas ilegais e outras medidas. Processos judiciais estão em curso contra 284 pessoas.
Particularmente cínica é a perseguição de ucranianos e de representantes do povo tártaro da Crimeia, a proibição das atividades do Mejlis e as tentativas de eliminar a identidade ucraniana e tártara da Crimeia do espaço público.
Apesar disso, a resistência ucraniana na Crimeia continua. Graças à resiliência dos ucranianos, o mundo vê que o nosso povo não aceitou a ocupação russa e nunca a aceitará. Hoje expressamos gratidão a todos na península que mantêm a Ucrânia no coração e aguardam o restabelecimento da justiça - apesar de tudo. Sabemos de vós. Lembramo-nos de vós. E nunca vos abandonaremos. A Crimeia foi, é e será Ucrânia. Ninguém, nada e nunca o poderá mudar.
O regresso da República Autónoma da Crimeia e da cidade de Sevastopol é um elemento indispensável para o restabelecimento da integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas e para a restauração de uma paz abrangente, justa e duradoura.
Além disso, a ocupação e militarização da Crimeia desestabilizaram a situação de segurança em toda a região do Mar Negro. Apenas o regresso da península à Ucrânia restabelecerá a estabilidade, a paz e a segurança necessárias para todos os Estados da região. O Mar Negro deve ser um espaço de cooperação, comércio e prosperidade - e não de guerra, ameaças e instabilidade.
Agradecemos aos nossos parceiros internacionais pelo apoio na defesa da vida, da liberdade e da justiça face à agressão e ao terror. Agradecemos aos países e organizações internacionais que participam nas atividades da Plataforma Internacional da Crimeia e que recordam constantemente ao mundo que os cidadãos ucranianos na Crimeia resistem aos ocupantes, que não podem ser quebrados e que a península da Crimeia é parte integrante da Ucrânia.
Apelamos à comunidade internacional, a todos os Estados e organizações internacionais, para que cumpram rigorosamente a política de não reconhecimento da ocupação temporária da República Autónoma da Crimeia e da cidade de Sevastopol. Que não permitam quaisquer ações ou contactos que a possam pôr em causa. Que mantenham e reforcem a pressão internacional sobre as administrações de ocupação e sobre os responsáveis por violações de direitos humanos e outros crimes sistemáticos na península.
Apelamos ainda para que os crimes russos contra o nosso povo nos territórios ocupados permaneçam no centro da atenção internacional. Exortamos o mundo a envidar todos os esforços para garantir o regresso dos nossos cidadãos ilegalmente detidos pelos ocupantes nas prisões russas e para devolver a península roubada ao seu legítimo proprietário.
O roubo é sempre temporário. A Crimeia é Ucrânia.