A Ucrânia confirma o seu compromisso inabalável com os valores da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão, que constituem o fundamento dos países democráticos. Como uma democracia que está na linha da frente da defesa do mundo livre, a Ucrânia demonstra diariamente: mesmo em condições de guerra em grande escala, as instituições democráticas permanecem a base da nossa resiliência.
A Ucrânia tradicionalmente mantém um ambiente mediático pluralista e livre. A subida significativa do nosso país nos rankings internacionais de liberdade de imprensa este ano é um reflexo objetivo da tendência correta - mesmo sob bombardeamentos.
Hoje, a defesa da liberdade de expressão é uma luta em duas frentes: contra o terror e contra a propaganda.
Para a Ucrânia, é particularmente aguda a questão da proteção dos jornalistas contra ataques terroristas deliberados por parte da Rússia, que persegue profissionais da comunicação social e redações. Ao travar uma guerra contra jornalistas, Moscovo tenta ocultar a verdade sobre os seus crimes.
Além dos ataques físicos, o agressor procura envenenar o espaço informativo com a sua propaganda, enganando audiências em todo o mundo e dificultando o trabalho de jornalistas profissionais.
De acordo com dados de órgãos estatais ucranianos e de grupos de monitorização, desde o início da invasão em grande escala, a Rússia matou pelo menos 149 profissionais da comunicação social, entre os quais jornalistas ucranianos e estrangeiros. Pelo menos 21 jornalistas morreram diretamente no exercício das suas funções.
Trata-se de terror deliberado da Federação Russa contra aqueles que levam a verdade ao mundo. Por cada ataque contra jornalistas deve haver responsabilização nas jurisdições nacionais e internacionais. Em nenhuma circunstância os meios de comunicação social devem tornar-se alvos.
Nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia, a Rússia instaurou um regime de censura total e repressão. A liberdade de expressão ali foi fisicamente destruída. Sublinhamos: a desocupação dos nossos territórios é o único caminho para restaurar a liberdade dos jornalistas e o direito das pessoas à informação honesta.
Apelamos aos grupos internacionais de monitorização e às unidades especializadas das organizações internacionais para um acompanhamento rigoroso, documentação e posições públicas firmes relativamente às graves violações da liberdade de expressão e de imprensa nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, a situação catastrófica do jornalismo na própria Rússia, onde a palavra independente é criminalizada, constitui uma ameaça à segurança global. O mundo deve reforçar a pressão consolidada sobre o regime do Kremlin para pôr fim à perseguição de jornalistas e à destruição de todas as liberdades civis.
Lembramo-nos de cada jornalista ucraniano em cativeiro russo. De acordo com dados oficiais da União Nacional de Jornalistas da Ucrânia, até à data, cerca de 30 profissionais da comunicação social ucranianos encontram-se em cativeiro russo ou em detenção ilegal. Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os jornalistas ucranianos.
A Ucrânia não cessará a luta por cada um dos seus cidadãos - militar ou civil - até que todos regressem a casa.
A luta pelos direitos dos jornalistas e pela liberdade de expressão é uma causa comum de toda a comunidade internacional. Não é apenas uma tarefa de um país, é a defesa da imunidade global contra a tirania.
Apelamos ao mundo para unir esforços a fim de garantir a segurança dos profissionais da comunicação social em zonas de conflito, reagir firmemente aos crimes contra a liberdade de expressão e apoiar os meios de comunicação independentes como um baluarte contra a ditadura.
Os jornalistas devem poder exercer o seu trabalho. Quando a liberdade de expressão está sob ameaça - o futuro de todo o mundo livre está em risco.