Na Ucrânia, a história dos povos ucraniano e polonês é tratada com respeito e profunda consideração. Nossos países passaram por diferentes fases em suas relações — desde períodos difíceis de controvérsias históricas até a atual etapa de estreita parceria estratégica.
Compreendemos a sensibilidade do tema da Tragédia de Volínia para a sociedade polonesa. Também entendemos a forma sensível como os ucranianos veem as páginas trágicas do passado.
Hoje, nossos povos têm um dever moral — não apenas perante a memória dos que morreram, mas também perante as gerações presentes e futuras — de preservar o legado da cooperação, da confiança mútua e da parceria estratégica. Defendemos um diálogo histórico honesto, responsável e equilibrado, livre de politizações e interpretações unilaterais, e contamos com a ponderação dos nossos parceiros poloneses ao avaliarem os eventos do passado histórico comum.
Em nome da unidade na defesa da nossa liberdade contra o inimigo comum, a Rússia, buscamos resolver todas as questões das relações bilaterais em espírito construtivo. A Ucrânia demonstrou isso com passos concretos nos últimos meses. O processo de exumações foi retomado e um diálogo construtivo sobre questões históricas está em andamento. Esperamos que esse trabalho continue sem politização.
Recentemente, foram realizados na Ucrânia dois fóruns nacionais com a participação de destacados historiadores e especialistas em relações ucraniano-polonesas. Eles confirmaram que os acontecimentos da Tragédia de Volínia foram uma tragédia para ambos os povos e exigem avaliações conjuntas e objetivas, baseadas em pesquisas profissionais sobre todos os fatos e eventos daquele período.
Ressaltamos a cooperação construtiva com a República da Polônia na realização de buscas e exumações, na adequada organização dos locais de sepultamento e na identificação de todos os falecidos. A continuidade desse trabalho conjunto contribuirá para o fortalecimento do entendimento mútuo entre nossos povos e para a consagração da justiça histórica e da memória dos eventos do passado.
A Ucrânia também propôs restaurar as atividades do Fórum Ucraniano-Polonês de Historiadores, bem como do formato de diálogo aberto — o Fórum de Parceria — como espaços importantes para troca de ideias e busca de entendimento mútuo.
Na véspera do dia em que a República da Polônia homenageia as vítimas da Tragédia de Volínia, a Ucrânia compartilha a dor e o luto do povo polonês. Ao mesmo tempo, não esquecemos os numerosos ucranianos que foram vítimas inocentes da violência interétnica, de repressões políticas e deportações em território polonês. A Ucrânia presta homenagem a todos os mortos, independentemente da sua nacionalidade, religião ou local de sepultamento.
Não se pode esquecer que a Rússia faz todo o possível para dividir ucranianos e poloneses, explorando as páginas dolorosas do passado. Infelizmente, alguns políticos poloneses, consciente ou inconscientemente, colaboram com o agressor nesse esforço. A Rússia, de fato, demonstra claramente — pelos exemplos de Bucha, Irpín, Borodianka, Mariupol, Izium, e pelos bombardeios de Kyiv, Kharkiv, Lviv, Odessa e outras cidades ucranianas — o que fará na Polônia, caso não seja detida na Ucrânia.
Em resposta, devemos demonstrar unidade e sabedoria, e honrar juntos a memória histórica, conscientes de que, para um futuro comum, precisamos encontrar entendimento mesmo diante das páginas mais difíceis do nosso passado. É justamente com base nessa unidade que poderemos construir com êxito o nosso caminho europeu comum.
As relações de boa vizinhança entre a Ucrânia e a Polônia continuam sendo importantes para ambos os países, considerando os interesses compartilhados, a proximidade histórica dos nossos povos, bem como os desafios e ameaças representados pelo agressor russo.
Estamos sinceramente gratos à Polônia pela ajuda abrangente prestada ao nosso Estado desde os primeiros dias da invasão em larga escala pela Rússia. Esse apoio é uma manifestação de verdadeira solidariedade com a Ucrânia. Somente juntos poderemos vencer o nosso inimigo comum — o Estado agressor Rússia — e proteger a liberdade da Ucrânia e da Polônia.