O Ministério dos Negócios Estrangeiros manifesta um forte protesto em relação à participação de representantes da administração de ocupação russa na República Autônoma da Crimeia (Ucrânia), temporariamente ocupada pela Rússia, na 12ª edição do Fórum Urbano Mundial (WUF12), que estå a decorrer de 4 a 8 de novembro no Cairo, República Árabe do Egito, com o apoio do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos (ONU-Habitat).
Salientamos que a participação de representantes da administração de ocupação da Federação Russa em eventos organizados ou realizados sob os auspícios de organizações internacionais, principalmente organizações do sistema das Nações Unidas, é uma violação flagrante das normas do direito internacional e de uma série de resoluções da Assembleia Geral da ONU, em particular, 68/262 "Integridade territorial da Ucrânia".
A Rússia está a tentar utilizar tanto as plataformas internacionais como o território de Estados soberanos, neste caso – a República Árabe do Egipto, para tentar legitimar a ocupação ilegal dos territórios ucranianos, provocando deliberadamente tensões, particularmente ao nível das relações bilaterais.
Apesar das numerosas insistências do lado ucraniano, a ONU-Habitat não conseguiu garantir o controlo adequado e definir um mecanismo claro para o registo dos participantes do WUF12, permitindo assim que os criminosos participassem no evento, pondo em perigo a reputação deste importante evento.
Apelamos ao Secretário-Geral da ONU e à liderança da ONU-Habitat para que tomem medidas imediatas para impedir a utilização da plataforma técnica universal WUF12 e da ONU-Habitat em geral para tentativas de legitimar a ocupação temporária dos territórios ucranianos, bem como a propagação de propaganda e mentiras por parte dos representantes da administração de ocupação da Federação Russa.
Convencidos de que as pessoas que cometeram tal negligência criminosa e permitiram que representantes da administração de ocupação da Rússia participassem no WUF12, mostrando assim desrespeito pelos Objectivos e Princípios da Carta das Nações Unidas, já não podem gozar da confiança dos Estados membros da ONU e por isso não podem ter a honra de trabalhar na ONU-Habitat ou noutros organismos do sistema ONU.