Andrii Sybiha apelou, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, ao reforço da pressão sobre o regime de Lukashenko pela sua cumplicidade na agressão russa
21 setembro 2026 23:56

Na segunda-feira, 21 de setembro, em Nova Iorque, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou no evento ministerial paralelo «Bielorrússia: cúmplice da guerra da Rússia contra a Ucrânia e ameaça à segurança internacional», realizado à margem da Semana de Alto Nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Participaram no evento a Secretária-Geral do Serviço Europeu para a Ação Externa, Kajsa Ollongren; a Ministra dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Baiba Braže; o Secretário-Geral do Conselho da Europa, Alain Berset; o Ministro de Estado da Irlanda para o Desenvolvimento Internacional e a Diáspora, Neale Richmond; o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro do Primeiro-Ministro da Polónia para a Segurança Nacional, Robert Kupiecki; o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Martin Roger; o Diretor-Geral Adjunto para os Assuntos Globais do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Gunnar Aldén; a líder das forças democráticas bielorrussas, Sviatlana Tsikhanouskaya; e o Diretor Executivo da Freedom House, Jamie Fly.

Andrii Sybiha salientou que o regime de Alexander Lukashenko continua a ser um aliado fundamental de Moscovo na condução da guerra em grande escala contra a Ucrânia e representa uma ameaça à segurança de toda a região europeia.

«A pressão sobre os regimes de Moscovo e Minsk só será eficaz se não admitir quaisquer exceções ou compromissos. Os mísseis russos não fazem exceções quando matam civis na Ucrânia. Por isso, também não pode haver exceções na pressão exercida sobre eles — nem para os oligarcas russos, nem para os recursos bielorrussos», declarou o Ministro.

O chefe da diplomacia ucraniana sublinhou que o território, as infraestruturas militares e os recursos da Bielorrússia continuam a ser utilizados para apoiar a agressão russa. A Bielorrússia fornece componentes e materiais à máquina de guerra russa, aprofunda a integração militar com Moscovo e as refinarias bielorrussas assumem uma importância cada vez maior no abastecimento de combustível à Federação Russa.

«O regime de Minsk é indissociável do regime de Moscovo. Não possui autonomia própria. Por isso, na nossa política em relação ao regime de Lukashenko não deve haver quaisquer ilusões nem tentativas de confundir aquilo que desejamos com a realidade», salientou o Ministro.

O chefe da diplomacia chamou ainda a atenção para as ameaças híbridas que o regime de Lukashenko representa para outros Estados europeus, nomeadamente a utilização da migração irregular para desestabilizar as fronteiras da União Europeia e a realização de exercícios militares nas proximidades do corredor de Suwałki.

«Estes exercícios decorrem num contexto de escalada da guerra da Rússia contra a Europa. Hoje, esta guerra já não é híbrida. É tão real como os explosivos transportados pelos drones russos», acrescentou o Ministro.

Andrii Sybiha salientou, em particular, a necessidade de reforçar a pressão sobre Minsk e de assegurar a responsabilização do regime de Lukashenko pela sua cumplicidade na agressão russa.

«A Bielorrússia é cúmplice da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Tomámos todas as medidas jurídicas necessárias para assegurar a devida responsabilização. Lukashenko e os altos responsáveis do seu regime devem responder perante a justiça no Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia, tal como Putin e os seus responsáveis», afirmou o Ministro.

Ao mesmo tempo, Andrii Sybiha sublinhou a necessidade de distinguir claramente entre o regime de Lukashenko e o povo bielorrusso, que demonstrou a sua aspiração à liberdade durante os acontecimentos de 2020. O Ministro agradeceu à líder das forças democráticas bielorrussas, Sviatlana Tsikhanouskaya, e destacou a intensificação do diálogo da Ucrânia com as forças democráticas da Bielorrússia.

«Estamos a discutir em conjunto formas de combater o regime de Lukashenko. Apoio as propostas de sanções apresentadas por Sviatlana e pela sua equipa», acrescentou o chefe da diplomacia.

Andrii Sybiha recordou que a Ucrânia criou o cargo de Embaixador com Missão Especial para a Cooperação com as Forças Democráticas Bielorrussas e que, no âmbito do Triângulo de Lublin, a Ucrânia, a Lituânia e a Polónia partilham uma visão comum de uma futura Bielorrússia livre, como parte desta aliança.

«Isto reflete a nossa história comum e os nossos interesses comuns em matéria de segurança», acrescentou.

O chefe da diplomacia ucraniana alertou os parceiros internacionais para o risco de aliviar a pressão das sanções sobre o regime de Lukashenko em troca da libertação de presos políticos.

«A libertação de pessoas inocentes deve ser sempre bem-vinda. Mas tratar a sua liberdade como moeda de troca incentiva a tomada de novos reféns e a negociação da sua libertação em troca daquilo de que o regime necessita. Já vimos como ele fez isso com cidadãos estrangeiros», salientou Andrii Sybiha.

O chefe da diplomacia ucraniana definiu três objetivos fundamentais: reforçar a pressão sobre o regime de Lukashenko pela sua cumplicidade na agressão russa, impedir um maior envolvimento da Bielorrússia na guerra e continuar a prestar um apoio abrangente às forças democráticas bielorrussas. Segundo o Ministro, uma Bielorrússia livre é uma condição necessária para a segurança da região e da Europa no seu conjunto.

«Temos de ser claros: aliviar a pressão sobre a Bielorrússia pelo seu papel na guerra russa envia tanto a Moscovo como a Minsk o sinal errado de que a agressão compensa. Pelo contrário, a pressão deve ser reforçada», concluiu Andrii Sybiha.

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