Andrii Sybiha na reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre inteligência artificial apelou a combater a utilização da IA por regimes agressivos
25 setembro 2025 22:36

Na quarta-feira, 25 de setembro, na sede da ONU em Nova Iorque, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, participou nos debates abertos de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre o tema “Inteligência Artificial e a paz e segurança internacionais: Superar os desafios, impactos multifacetados e uso responsável”.

Durante a sua intervenção, o chefe da diplomacia ucraniana afirmou que a Ucrânia reconhece o potencial da inteligência artificial e sente os seus riscos mais do que qualquer outro país.

“A inteligência artificial mudou a natureza da guerra. A sua utilização no campo de batalha está a expandir-se rapidamente. Esta tecnologia pode ajudar um país a defender-se, como está a ajudar-nos na Ucrânia. Mas também pode ser utilizada por um agressor para matar e destruir, como faz a Rússia”, — sublinhou o ministro.

O Ministro citou o discurso proferido ontem pelo Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na Assembleia Geral da ONU:

“Cito: «Estamos agora a viver a corrida armamentista mais destrutiva da história da humanidade — porque desta vez ela inclui a inteligência artificial. E se não existem garantias reais de segurança — para além dos amigos e das armas, e se o mundo não consegue reagir eficazmente nem mesmo às ameaças antigas, e se não há uma plataforma fiável para a segurança internacional — restará na Terra algum lugar verdadeiramente seguro para as pessoas?»”

Segundo Andriy Sybiha, a Ucrânia utiliza tecnologias de IA para o desenvolvimento de equipamentos de ponta, incluindo para a defesa antiaérea, para reforçar a resiliência contra a guerra eletrónica russa e para aumentar a capacidade de proteger a população civil e as infraestruturas. Recentemente, também tiveram início ensaios de utilização da IA na desminagem humanitária.

“Ao mesmo tempo, a Rússia utiliza estas tecnologias para causar morte e destruição. Moscovo também as aplica amplamente como instrumentos de propaganda e para minar a confiança nas instituições democráticas, na Ucrânia e em todo o mundo”, — observou o ministro.

O chefe da diplomacia ucraniana afirmou estar convencido de que, como em qualquer tecnologia, o problema não reside nas suas capacidades, mas nas intenções de quem a utiliza.

“Mas, enquanto é difícil adquirir, transferir ou desenvolver armas de destruição maciça, a IA não tem fronteiras físicas. Controlar a sua disseminação é extremamente difícil. Por exemplo, a Rússia pode partilhar a sua experiência de utilização desta tecnologia no campo de batalha na Ucrânia com a Coreia do Norte ou o Irão. Isso aumentaria os riscos de segurança não apenas para a Península Coreana, mas também para a região do Indo-Pacífico, bem como para o Médio Oriente. E isso provavelmente já está a acontecer”, — assinalou.

Andriy Sybiha apelou aos parceiros para uma ação coordenada a fim de contrariar as ameaças da troca de tecnologias de defesa baseadas em IA entre regimes agressivos. Declarou que a Ucrânia está pronta para partilhar a sua valiosa experiência e know-how com aliados e parceiros.

“A Ucrânia apela a todos os Estados amantes da paz para assegurar o controlo democrático sobre as tecnologias mais recentes, ao mesmo tempo responsabilizando aqueles que as utilizam para cometer crimes. A Ucrânia está pronta para participar ativamente na promoção da utilização responsável da inteligência artificial militar no âmbito de todo o sistema da ONU, em particular no Conselho de Segurança”, — concluiu o ministro.

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