Na quinta-feira, 25 de setembro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, participou na Segunda Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros do Grupo dos Vinte (G20), realizada sob a presidência da República da África do Sul.
Durante a sua intervenção, Andriy Sybiha informou os presentes sobre a escalada da guerra desencadeada pela Rússia e sobre os riscos que Moscovo representa para o mundo com a sua agressão contra a Ucrânia.
“Este encontro decorre num contexto de crise global — uma crise de segurança, de direito internacional e de justiça. Se não resolvermos esta crise agora, ela apenas se aprofundará. Todos nesta sala enfrentarão as suas consequências, porque se permitirmos a destruição do direito internacional, da segurança e da justiça na Ucrânia, ninguém estará seguro em nenhuma parte do mundo”, — salientou o ministro.
O chefe da diplomacia ucraniana destacou que o envolvimento do Irão, da Coreia do Norte e o apoio da Rússia a estes regimes ameaça a estabilidade no Médio Oriente e na Ásia. Segundo o ministro, mercenários russos em África saqueiam recursos naturais, arrastando pessoas para a guerra, levando à desestabilização e ao caos.
“O pior é que regimes em todo o mundo observam as ações da Rússia. Se Moscovo sair impune, outros também poderão sair impunes. Poderão violar o direito internacional, ocupar territórios estrangeiros pela força e não enfrentar uma forte reação global. Esse cenário pode parecer atraente para potenciais agressores noutras partes do mundo. Os países pequenos e menos protegidos estão especialmente em risco”, — acrescentou.
Andriy Sybiha sublinhou que a Ucrânia respeita a Carta da ONU e procura pôr fim à guerra já este ano, mas a Rússia não mostra qualquer sinal de vontade de cessar-fogo, de negociações reais ou de paz. O ministro acrescentou que Putin faz tudo para prolongar a guerra, intensificando o terror contra os ucranianos e envolvendo outros países no conflito.
“Se todos nós adotarmos uma posição de princípio contra a agressão e a guerra, Moscovo ouvirá inevitavelmente a voz da comunidade mundial. Não vos pedimos que escolham um lado entre a Ucrânia e a Rússia. Pedimos que se coloquem do lado da Carta da ONU. A vossa posição é crucial para alcançar a paz e tem uma influência particular sobre a Rússia”, — observou o diplomata.
O chefe da diplomacia ucraniana informou os seus colegas que a Ucrânia deteta provas de ajuda de terceiros países na evasão das sanções contra a Rússia e que irá reagir de forma firme, em coordenação com os parceiros, a tais ações. O ministro declarou que apenas uma pressão conjunta forçará a Rússia ao diálogo e à diplomacia.
Andriy Sybiha expressou a sua profunda gratidão à presidência sul-africana do G20 pelo apoio aos esforços de paz e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Ronald Lamola, pela sua posição de princípio.
O ministro agradeceu também a todos os países que apoiam sinceramente uma paz justa, a Carta da ONU e a integridade territorial da Ucrânia — mesmo quando esse apoio é discreto e não público.
“Vemos e apreciamos a vossa posição de princípio. Esperamos que a questão da paz justa permaneça no centro das atenções durante os futuros eventos do G20. E ficaremos muito satisfeitos em ver o Presidente Zelensky e a Ucrânia neles representados”, — concluiu.