No dia 22 de setembro, realizou-se, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o evento temático de alto nível «Segurança alimentar mundial e o Mar Negro: a necessidade de restabelecer a liberdade de navegação», coorganizado pela União Europeia, Ucrânia, França e Roménia.
No âmbito do evento, intervieram a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, e 27 ministros dos Estados-Membros da UE. Kaja Kallas salientou que os cereais provenientes da Ucrânia alimentam populações em todo o mundo, enquanto a Rússia bloqueia as exportações através do Mar Negro e provoca deliberadamente uma situação de insegurança alimentar a nível mundial.
Intervindo no evento enquanto membro da delegação ucraniana, em nome do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, a Vice-Ministra Mariana Betsa salientou que a Rússia utiliza deliberadamente a fome como arma e contribui para a escassez mundial de alimentos. Agradeceu igualmente à Alta Representante da UE pela sua posição firme quanto à necessidade de continuar a exercer pressão sobre a Rússia, com vista ao restabelecimento das exportações de produtos alimentares através do Mar Negro. A diplomata sublinhou que o restabelecimento da plena liberdade de navegação no Mar Negro é fundamental para garantir a segurança alimentar.
«O Mar Negro não diz respeito apenas à Ucrânia. É uma questão de segurança alimentar mundial. A Ucrânia fornece alimentos a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. É precisamente por isso que o restabelecimento da liberdade de navegação constitui uma responsabilidade comum da comunidade internacional», salientou a representante da Ucrânia.
A parte ucraniana chamou a atenção para o facto de a Rússia continuar a atacar toda a cadeia logística alimentar — desde a produção e o armazenamento de cereais até ao seu transporte por via marítima —, bem como a atacar navios civis e infraestruturas portuárias.
Os participantes foram informados de que a capacidade operacional dos portos ucranianos do Mar Negro diminuiu 93% e de que a continuação do bloqueio do transporte marítimo poderá resultar na não chegada aos mercados mundiais de até 11 milhões de toneladas de cereais ucranianos e até 24 milhões de toneladas de produtos cerealíferos no total.
A Ucrânia salientou igualmente a importância da solidariedade internacional em matéria de segurança alimentar. Apesar da guerra, no âmbito da iniciativa humanitária Food from Ukraine, já foram entregues mais de 336 mil toneladas de produtos alimentares a 20 países, incluindo o Iémen, Sudão, Somália, Síria, Quénia e Bolívia.
Foi igualmente dedicada especial atenção à necessidade de proteger o corredor marítimo ucraniano e de apoiar os esforços diplomáticos destinados a restabelecer a liberdade de navegação em conformidade com o direito internacional.
Mariana Betsa apelou aos Estados parceiros para que reforcem as medidas de pressão sobre a Federação Russa, com vista ao desbloqueio da navegação no Mar Negro.