Resposta do Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Heorhii Tykhyi, sobre o Prémio Internacional UNESCO-Rússia Mendeleev para as Ciências Fundamentais
15 fevereiro 2026 16:10

Em resposta a pedidos dos meios de comunicação relativamente ao anúncio, sob os auspícios da UNESCO, de um concurso para a atribuição do Prémio Internacional D. I. Mendeleev para as Ciências Fundamentais, financiado pelo Governo da Federação Russa, reiteramos a inadmissibilidade das tentativas da Rússia de branquear os seus crimes de guerra, inclusive manipulando os domínios da ciência, da educação, da cultura e do desporto.

O Estado terrorista Rússia realiza diariamente ataques com mísseis e drones contra cidades ucranianas, destrói infraestruturas de educação, ciência e cultura, e mata civis, incluindo crianças, cientistas, professores e artistas. Desde o início da invasão em grande escala contra a Ucrânia, a Federação Russa destruiu ou danificou pelo menos 4 456 instituições de ensino e 1 443 instituições de investigação científica.

Moscovo viola de forma sistemática e flagrante os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, o Estatuto da UNESCO e todos os princípios fundamentais que sustentam o mandato da UNESCO - promover a paz através do desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura.

A Rússia nada tem em comum com descobertas científicas ou prémios - é um país de barbárie, agressão e desprezo pela vida humana. Merece o Prémio Darwin, e não o Prémio Mendeleev.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia dirigiu-se reiteradamente ao Secretariado da UNESCO, exigindo que a Organização não apoie nem promova, nas suas ações ou comunicações, narrativas, propostas, iniciativas ou candidaturas de peritos da Federação Russa, que comete crimes de guerra na Ucrânia nas áreas da ciência, educação, cultura e outras esferas abrangidas pelo mandato da UNESCO. Tais ações constituem uma violação do direito internacional, bem como das resoluções da Assembleia Geral da ONU e da UNESCO. Prosseguiremos este trabalho até que os nossos apelos fundamentados sejam devidamente considerados.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Comissão Nacional da Ucrânia para a UNESCO continuarão a trabalhar ativamente para impedir a utilização de plataformas internacionais para branquear o Estado agressor, proteger a credibilidade da UNESCO e assegurar o respeito pelos seus princípios e valores fundamentais.

Valorizamos a posição ativa da UNESCO em apoio à Ucrânia, nomeadamente no domínio científico, e sublinhamos a importância da implementação do Plano de Ação da UNESCO para a Recuperação da Ciência na Ucrânia, apresentado em julho de 2025, em Kyiv, e durante a Conferência Internacional para a Recuperação realizada em Roma.

Recordamos que a Ucrânia é membro ativo do Comité Diretivo do Programa da UNESCO para a Segurança dos Cientistas. Graças aos esforços persistentes do nosso Estado, a UNESCO reconheceu as guerras e os conflitos armados como o principal desafio à segurança dos cientistas a nível mundial.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia apela à comunidade científica internacional, aos Estados-Membros da UNESCO e a todas as partes envolvidas para que boicotem o referido prémio, financiado pelo Estado agressor.

Consideramos que este prémio deve ser cancelado e que o júri do concurso deve cessar funções. Apelamos ao novo Diretor-Geral da UNESCO para que não nomeie um novo júri.

Estamos convictos de que a verdadeira ciência deve servir a paz, o desenvolvimento e o humanismo, e não ser utilizada como instrumento de propaganda de um Estado agressor.

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